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Archive for the ‘50 Anos de Bossa Nova’ Category

Nesta última parte da saga “Bossa Nova” é preciso – vital seria a palavra, falar da música “Garota de Ipanema”. Segundo uma das muitas lendas da Bossa Nova, e segundo nos conta Ruy Castro em Chega de Saudade: A história e as histórias da Bossa Nova, o maior show deste estilo musical ocorreu em 1962, na Boate (na época o nome Boate, ainda não era pejorativo) Au Bom Gourmet. Estavam presentes, cantando juntos, nada mais nada menos que: Tom, Vinícius e João Gilberto. E com a participação especial do grupo vocal “Os Cariocas” foi cantada e tocada pela primeira vez a música que é hoje uma das cinco mais tocada em toda a história: Garota de Ipanema. Mas antes dos versos imortais, que –arrisco dizer, é conhecido por 9 em cada 10 brasileiros, existia uma primeira versão que dá para ter uma ideia de com seria colocando a tão famosa melodia:

Vinha cansado de tudo / De tantos caminhos / Tão sem poesia / Tão sem passarinhos / Com medo da vida / Com medo de amar

Quando na tarde vazia / Tão linda no espaço / Eu vi a menina / Que vinha num passo / Cheio de balanço / Caminho do mar

Contudo a versão cantada, naquela noite célebre, foi a que conhecemos hoje e que o mundo ouve. Digo o mundo, pois no ano 1990, uma grande gravadora encomendou um levantamento sobre as músicas mais tocadas do século. Em primeiro lugar veio Yesterday dos Beatles. Somando as canções de Jobim, ele só perde para os quatro garotos de Liverpol. Sobre o fato Tom teria dito: Tá, tudo bem, mas eles são 4 e cantam em inglês.

O fato é a Bossa Nova logrou um sucesso imenso no Brasil, mas nada comparado ao que ocorreu fora do país, principalmente nos Estado Unidos, berço do jazz, que como eu disse no segundo post, é o pai da Bossa – sendo a mãe o samba, ou vice-versa.

No ano do show do trio maior da Bossa, houve também a coroação da Bossa no famoso Carnegie Hall, em Nova Iorque. No ano seguinte João Gilberto colhia os frutos deste show. No mês de março, sob a batuta do maestro Jobim, João gravou aquele que é considerado um dos maiores discos de todos os tempos Getz/Gilberto. Com 2 milhões de cópias vendidas em seu lançamento. Isto posto o passo seguinte eram as premiações e foi isso que ocorreu, em 1965 o disco arrebatou vários Grammys, entre eles o de álbum e de música do ano por “The Girl from Ipanema”. Foi exatamente nesta música que o produtor Creed Taylor, arrancou o vocal de João e deixou apenas o vocal feminino de Astrud Gilberto, esposa de João na época. Há que diga que isso foi o que alavancou as vendas e o deixou comercial.

A Bossa Nova morreu aí em 1965? Não, nem em 1965, nem com a morte dos grandes nomes como: Nara Leão, Tom, Vinicius, Ronaldo Bôscoli, Newton Mendonça, enfim…a Bossa continua, os gringos fazem filas para assistir apresentações de Bebel Gilberto. Nas comemorações de 50 anos de Bossa Nova o show de João Gilberto teve os ingressos esgotados em questão de horas. Além disso, músicas foram imortalizadas: Corcovado, Desafinado; Meditação, Águas de Março, entre outras que ultrapassaram a barreira das mais de 1 milhão de execuções.

Abaixo, um vídeo do Stan Gertz Quartet, tocando (Lucas esse é para você, apenas instrumental), Desafinado e Garota de Ipanema.

(Denis Silva)

Fonte: CASTRO, Ruy. Chega de Saudade: A História e as Histórias da Bossa Nova. Companhia das Letras. São Paulo, 1990.

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Esta quarta parte do post sobre os 50 anos da Bossa Nova fala sobre os três maiores ícones de movimento: Tom, Vinicius e João Gilberto.

O primeiro foi maestro, arranjador e homem de gravadora; teve visão empresarial sobre a música que estava sendo feita. O segundo já era um poeta conhecido quando o movimento explodiu, era também um dos mais velhos do grupo e  já atendia pelo cargo de diplomata. O terceiro foi a pimenta baiana desta mistura; gênio rebelde e inventor da famosa “batida” de violão bossa nova.

Tom e Vinícius se conheceram na época da produção da peça Orfeu da Conceição que o poetinha organizava. Tom Jobim um jovem maestro, foi convidado –segundo  corre a lenda, para participar da peça, enquanto bebia cerveja, numa mesa de boteco, apresentado a Vinícius por um amigo em comum. Nascia ali uma das parcerias mais brilhantes da música popular brasileira.

João Gilberto demorou a fazer parte de seleto clube. Chegou ao Rio de Janeiro depois de uma breve passagem por Salvador vindo da cidade de Juazeiro. Cantou em um dos grupos que pipocavam no cenário musical a partir do final  dos anos de 1940. Cantou em bares, foi cantor de rádio, mas a displicência e irresponsabilidade não ajudaram a carreira a vingar. Depois de perambular e, segundo relatos, morar de favor vários anos na casa de amigos, onde passava a maioria dos dias, tocando e fumando –inclusive cannabis, acabou sendo enviado por um amigo a casa de uma das irmãs, que morava em Diamantina-MG.

Antes da volta ao Rio, João ainda retornou as origens, tendo uma breve passagem por Juazeiro, e por uma “casa de repouso” em Salvador. Deste período e das incessantes horas tocando violão, João descobriu a batida que possibilitava cantar em qualquer tom, fazendo da voz um instrumento.

João é o músico que toca violão naquela primeira gravação de Elizete Cardoso “Chega de Saudade”, que tinha música de Tom e letra de Vinícius.

O resto é história. Segundo Ruy Castro, Tom se revezava entre fazer música e ser mediador de alguns atritos de João Gilberto e Vinícius de Moraes.

Sobre João Gilberto, que mantém uma  vida reclusa há muitos anos, correm várias lendas, uma dela diz que, certa noite, João teria ligado para o apartamento de Elba Ramalho, que mora no mesmo bairro, e teria perguntado se ela não queria  lhe fazer uma visita, ela sem pensar duas vezes –afinal era João Gilberto, foi. Mas antes, a pedido dele, passou em um lugar que vendia baralho. Chegando ao prédio, reconhecida pelo porteiro, subiu direto ao apartamento e bateu uma…duas..três vezes, em seguida um diálogo mais ou menos assim aconteceu:

– Quem é?

-É Elba, João.

-Que Elba?

-Como que Elba? Elbinha, lembra que você me ligou e pediu que eu viesse.

-É mesmo. Trouxe o baralho?

-Trouxe!

-Elbinha então vá passando as cartas por debaixo da porta que eu tô muito ocupado agora!

 

É provável que a história não seja essa ou talvez nem tenha acontecido, mas como outras serve para transformar ainda mais o homem em Mito.

 

A gravação abaixo se trata de um momento muito bonito de Tom&Vinícius, a música Eu sei que vou te amar, com Vinícius declamando um de seus poemas ao final. No próximo post o final da saga Bossa Nova. Com o mundo se rendendo a garota de Ipanema. Astrud, a maior vendedora de discos (avô do mp3) da Bossa Nova, mesmo sendo gringa.

(Denis Silva)

 

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Nara a Musa inteligente e bonita da Bossa Nova

Nara a Musa inteligente e bonita da Bossa Nova

Engana-se quem acredita que a Garota de Ipanema é a musa da Bossa Nova. Ao contrário dos dias de hoje para ser uma musa na época da Bossa Nova, era preciso, antes de tudo, ser inteligente, e Nara Leão era, além de bonita.

 Nara Leão vai se envolver com a Bossa Nova, ao frequentar a academia de violão de Carlos Lyra e Roberto Menescal. Tocar e cantar na frente de outras pessoas seria uma vitória para a menina tímida de quatorze anos.

 Ronaldo Bôscoli, que havia conhecido Menescal, naquele mesmo ano, numas das famosas rodas de violão, que eram comuns á época, completaria o célebre trio dos jovens da Bossa. Mas os encontros marcados para se fazer música, entre os dois, só aconteceu em 1957, quando eles já viviam de música. Neste mesmo ano, Bôscoli foi convidado a freqüentar o apartamento de Nara Leão, onde ATurma se encontrava para conversar e fazer música. Depois de algum tempo Nara, que já havia namorado Menescal –e segundo consta também namorou Carlos Lyra, começa namorar Ronaldo Bôscoli, ela tinha quinze anos; ele vinte oito, uma vida noturna, era amigo de Tom e Vinícius , mas partilhava da mesma timidez que Nara.

 Destes encontros no apartamento de Nara nasceu a parceria Bôscoli / Lyra, e com ela as primeiras músicas: “Lobo  bobo”, que conta como Ronaldo foi preso pelo amor de Nara. E também  “Barquinho de Papel” –composição apenas de Lyra.

 O fato a seguir é uma das muitas lendas que cercam João Gilberto, e esta está ligada a inserção do trio jovem (Menescal / Lyra / Bôscoli) à Bossa Nova. Menescal estava em casa comemorando as bodas de pratas de seus pais, quando alguém bateu á porta. O homem perguntou se ele tinha um violão e se podiam tocar alguma coisa, o homem era João Gilberto. Menescal já ouvira falar de João Gilberto e o convidou a entrar e foram para o quarto tocar violão, lá o pai da Bossa Nova mostrou a batida que acabara de criar, e cantou baixinho, num ritmo que Roberto Menescal nunca tinha visto, era como se a voz de João fosse apenas mais um instrumento tal era  a afinação.

O Barquinho

O Barquinho

 A Turma, como eles foram intitulados, tinha, ainda – além de Nara, Bôscoli, Menescal e Lyra, as presenças Chico Feitosa, parceiro de Bôscoli, Bebeto (famoso instrumentista da época) e Dory Caymmi.

 

 Abaixo, um momento pós-época áurea da Bossa Nova, mas um momento ímpar da carreira de Nara Leão no Festival de Música de 1966. Em dueto com Chico Buarque ela interpreta A Banda.

 

Denis Silva

 

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