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Archive for the ‘Teatro’ Category

        Por Denis Silva

       Devido a projetos pessoais, estarei ausente do blog (ao menos, como colunista por tempo indeterminado). Agradeço aos colegas de grupo o espaço durante estes 18 meses. Aos visitantes do site,  meus agradecimentos pela paciência em ler estes rascunhos que deixo no histórico de post’s.

Homem Vitruviano

A aurora do conhecer clássico arrebatou Sá de Miranda em sua viagem à Itália do século XVI. Acreditando que aquele era um auspicioso momento cultural, com consequências ímpares na história da humanidade, Sá de Miranda em sua volta procurou difundir estas novas ideias que já estavam bem conhecidas no país que outrora sugou os conhecimentos da pátria mãe do pensamento clássico.

         A cultura greco-romana, base para as ideias clássicas, havia fomentado nas cabeças pensantes da época uma nova visão de mundo, muito mais ligada aos prazeres da vida, num oposicionisno à época que a antecedeu. Com este pensamento, um novo horizontsurgiu diante dos olhos sedentos de conhecimentos e novidades dos intelectuais portugueses da época, como: João de Barros, Damião de Góis, Fernão Mendes Pinto nos estudos históricos; Sá de Miranda, Antônio Ferreira e Luís de Camões no terreno da literatura

       Algumas situações colaboraram para a difusão das idéias clássicas por toda Europa, dentre elas:  a invenção da Imprensa e o trabalho para recuperar e traduzir textos clássicos antigos. Trabalho este desenvolvido pelos humanistas que iniciou a mudança do ensinamento religioso pelo laico nas escolas.

       A cultura não era mais exclusividade do clero, alcançando camadas da burguesia emergente , que via no conhecimento um meio de destaque social, substituto dos títulos de nobreza e do sangue aristocrático que ela não possuía . O racionalismo era a base para descobertas científicas denotando assim um dos principais fatores da era clássica: o antropocentrismo, que ressaltava ainda mais a distância em que o mundo se encontrava da era medieval .

          Em resumo, a época clássica que via na razão algo a ser atingido e cultivado, quase como divino, buscava um equilíbrio, entre a inspiração e a forma, com um otimismo em relação ao presente e futuro da humanidade. Algo que explica a saga dos portugueses que adentraram no mar em busca de novas descobertas, cientes de suas missões como parte do desenvolvimento de sua pátria. Não obstante, devê-se lembrar que esta transição foi um período complexo diante do choque que crenças entre o antigo e o novo pensamento.

     Para não deixar de ser abaixo uma poesia de Luís de Camões. Transmutada (Monte Castelo)

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A Classificação dos gêneros, inicialmente sugerida por Aristóteles em sua Poética, é muito importante, porque pode-se delinear as linhas limítrofes de um dado gênero, apontando as suas particularidades essenciais. Tal divisão é, contudo, artificial e convencional, já que uma obra de arte de qualquer gênero pode conter traços estilísticos de outro. O gênero literário, bem como a sua classificação, não atribuem valor às obras. A divisão das obras literárias em gêneros funciona como um facilitador para a organização e comparação dos textos.

Grosso modo, temos três tipos de gêneros na literatura:

– Gênero lírico: relaciona-se aos poemas. Suas características principais são a subjetividade (consequentemente, uma intensa carga expressiva), o ritmo (dado pela oralidade), a musicalidade (rima), a constância do “presente eterno”, a linguagem conotativa e a brevidade do texto.

– Gênero épico: relaciona-se a todas as estórias. Neste gênero encontra-se a presença de um narrador, a objetividade (trata-se, portanto, de um mundo narrado à distância, observado pelo narrador), a presença do tempo passado, o texto, geralmente, é longo e a linguagem lógica (descritiva, denotativa). Neste gênero narrador aborda geralmente questões relacionadas ao heroismo e aos feitos históricos de uma nação ou de um homem, o herói.

-Gênero dramático: relaciona-se às peças teatrais. Há a presença de personagens autonômas, seu tempo é linear (com ações sucessivas), há a ocorrência de diálogos constantes (que fazem desnecessárias as colocações de um possível narrador, descartando-o, portanto) e a atualidade das ações no tempo presente.

Por: Nathaly Felipe Ferreira Alves

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Augusto Monterroso foi um escritor da Guatemala. Morreu em 2003 aos 82 anos. Foi laureado com o Premio Príncipe de Astúrias de Las Letras em 2000, como reconhecimento por toda a sua produção. Foi conhecido predominantemente pelos seus microrrelatos, micronarrativas, textos concisos e fantásticos, e pelas suas fábulas e pela demonstração do poder do inusitado, do inóspito. Seu texto mais famoso possui apenas uma sentença: “Quando acordou, o dinossauro ainda estava lá” (Cuando  despertó, el dinosaurio todavía estaba allí).

Abaixo, uma tradução minha do texto “O Eclipse”, de Obras completas (y otros cuentos), 1959.
O texto original pode ser lido aqui.


Quando Frei Bartolomeu Arrazola se sentiu perdido, aceitou que nada mais poderia salvá-lo. A poderosa selva da Guatemala o havia feito prisioneiro, implacável e definitiva. Diante da sua ignorância topográfica, se sentou com tranquilidade para esperar a morte. Quis morrer ali, sem nenhuma esperança, solitário, com o pensamento fixo na Espanha distante, no Convento dos Abrolhos, onde Carlos V concordou em descer de sua eminência para lhe dizer que confiava nos cuidados do seu trabalho redentor.

Ao despertar, viu-se rodeado por um grupo de indígenas de rostos impassíveis, que se dispunham a sacrificá-lo diante de um altar, um altar que lhe pareceu um leito no qual descansaria, enfim, de seus temores, de seu destino, de si mesmo.

Três anos no país lhe haviam conferido um domínio razoável das línguas nativas. Tentou algo. Disse algumas palavras que foram compreendidas.

Então floresceu nele uma idéia digna de seu talento e de sua cultura universal e de seu árduo conhecimento de Aristóteles. Lembrou que para esse dia era esperado um eclipse total do Sol. E se dispôs, no mais íntimo, a se valer daquele conhecimento para enganar seus opressores e salvar sua vida.

– Se me matarem, – disse – posso fazer com que o Sol se escureça em sua altura.

Os indígenas o olharam fixamente, e Bartolomeu se surpreendeu com a incredulidade em seus olhos. Viu que se formou um pequeno conselho, e esperou confiante, não sem certo desdém.

Duas horas depois, o coração do Frei Bartolomeu Arrazola vertia seu sangue veementemente sobre uma pedra de sacrifícios (desceu brilhante a luz opaca de um sol eclipsado), enquanto um dos indígenas recitava sem nenhuma inflexão devoz, sem pressa, uma por uma, as infinitas datas em que se produziam eclipses solares e lunares, que os astrônomos da comunidade maia haviam previsto e anotado em seus códices, sem a valiosa ajuda de Aristóteles.
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Lucas de Sena Lima

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Comédia Grega em foco

 

Aristófanes, comediógrafo grego.

Aristófanes, comediógrafo grego.

Aristófanes nasceu em Atenas na Grécia no ano de 455 a.C. e lá morreu em 375 a.C. Escreveu 44 comédias e 11 chegaram até nós.

Este comediógrafo foi muito apreciado pelo povo grego, pois suas peças continham elementos das festas dionisíacas, das quais, aliás, surgiram as encenações gregas. Seus enredos, no entanto, possuíam uma harmonia perfeita entre a trama dramática e a improvisação em cena.

O autor de Lisístrata também inovou a estrutura do texto. As peças gregas eram tanto escritas quanto representadas em forma de poesia que se baseava no “iambo”, estabelecido no século VII a.C. … Aristófanes soube usá-lo de maneira única.

Em vez de apoiar-se em seu formato rígido, ele aproveitou “a força da mensagem” da poesia. O “iambo” que tinha ligação à piada teve seu horizonte ampliado por Aristófanes que levou ao palco a ironia e transformou seu humor em um grande instrumento da palavra em prol da democracia. Ele também criou novas técnicas de apresentação.

Existe ainda outra perspectiva essencial: a maneira dele usar a metáforas ou “a alegoria” no enredo.

Em Lisístrata ou A Greve do Sexo (que foi encenada pela 1ª vez em 411 a. C.), o autor critica um evento real: A Guerra do Peloponeso, que contrapôs Esparta e Atenas e seus respectivos aliados. A comédia transmite a atmosfera apreensiva daqueles dias.

Na peça, as mulheres da Grécia que já não agüentavam mais esse clima de tensão resolvem, com a liderança de Lisístrata, acabar com a guerra de modo original: realizando uma greve de sexo. Após diversas situações cômicas, os homens não agüentam e instituem um acordo de paz.

Essa comédia foge ao “lugar-comum”, uma vez que evita usar o tema sexual como um artifício para chegar aos risos.

Mais do que almejar seus benefícios pessoais, as mulheres usam o amor e o erotismo pela paz coletiva, com um fim ético.

Aristófanes além de ser pacifista (já que propunha em seu enredo a união de todas as cidades-estado gregas para que o país não definhasse) era também visionário, pois faz uma troca de papéis: as mulheres são as líderes, ao contrário da vida real delas naquele tempo. Elas apontam a solução para a paz; invertendo seus papéis de tradição (geralmente as mulheres eram, nos mitos, causadoras de conflitos, lembremo-nos de Helena de Tróia).

Lisístrata ou a Greve do Sexo

Lisístrata ou a Greve do Sexo

Ao fim, todos são vencedores, pois a paz é restaurada e homens e mulheres comemoram juntos a vitória geral (coisa difícil de ocorrer, já que as mulheres nem cidadãs eram consideradas…).

A genialidade de Aristófanes está justamente aí: buscar o bem comum entre os gregos. É importante ressaltar que ele não tinha idéias feministas como pode parecer, entretanto. 

 

Nathaly Felipe Ferreira Alves

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Apesar de conhecido como teatrólogo, a principal atividade de Nelson Rodrigues era o jornalismo, à qual se dedicava o dia inteiro, atrás de sua máquina, sob o poder de uma intensa válvula criadora, dia a dia, na redação do jornal.

Cena de "Vestido de Noiva" e o planos da memória e alucinação. A atriz Nora Toledo no papel de Alaíde.

Cena de "Vestido de Noiva" e o planos da memória e alucinação. A atriz Nora Toledo no papel de Alaíde.

Assinou a coluna “A vida como ela é…” (com as tradicionais reticências), no jornal Última Hora. Mas parte do seu sucesso se deve ao seu pseudônimo Suzana Flag, com o qual escrevia a coluna com cara de folhetim “Meu destino é pecar”. Foi com o recurso da alteridade que Nelson libertou mais sua capacidade de escrever sobre mulheres e costumes. Se o autor, nas suas peças já consagradas, abordava o íntimo feminino com precisão e frieza, após o surgimento de Suzana Flag pode esboçar visões diretamente a partir do ponto de vista da mulher. Leia-se: a mulher rodrigueana, com “vontade de potência”, livre para exercer seu instinto sexual e mortífero (Münch dizia que a mulher é a força anuladora do homem).

Nelson era apaixonado por futebol e pelo seu clube de coração: o Fluminense. Chegou a afirmar, após um pênalti marcado contra o Flu: “Se o videoteipe diz que foi pênalti, pior para ele. O videoteipe é burro!”. Era contrário aos “idiotas da objetividade”, contra os videoteipes, contra Marx, e contra a imaturidade dos jovens: “Jovens de todo o mundo: envelheçam!”. Além de tudo isso, e por causa disto: um grande aforista, dos maiores em língua portuguesa.

Como sempre escrevia sobre seu ponto de vista e impressões do mundo nas colunas, seus textos ganhavam um tom confessional. Não à toa as reuniões de suas crônicas ganham o nome de “confissões” ou “memórias”. Mas o livro que traz o autor deitado no divã de forma mais sincera é O Reacionário. Nelson chega a dizer: “quem quiser me entender, há de ler este livro”. Este foi o seu último livro publicado em vida.

"O Fluminense é o único tricolor. O resto são só times de três cores"

"O Fluminense é o único tricolor. O resto são só times de três cores"

Tudo o que foi escrito por Nelson nos jornais, ou o “Berro impresso nas manchetes”, foi em busca de uma repercussão. Daí sua fama de polêmico. Na verdade, ele mesmo afirmava: “A grande utopia do ser humano é encontrar um ouvinte. Por isso a importância que se dá à figura do psicanalista”. A aforismática rodrigueana é uma peça da cultura brasileira, semelhante o que representou para Nabucodonosor os ornatos dos Jardins Suspensos da Babilônia, ou os afrescos de Michelângelo para o pároco da Capela Sixtina. Ou algo próximo; senão exato, apenas semelhante.

Nelson Rodrigues era um obsessivo. Uma “flor de obsessão”, como ele dizia. Em sua peça “Bonitinha, mas ordinária ou Otto Lara Resende”, o nome do amigo, que ganhou o subtítulo da peça, é repetido à exaustão (cerca de 70 vezes), assim como a frase “O mineiro só é solidário no câncer”, atribuida a Otto.

Nelson e Otto Lara Resende, mais ou menos em 1950/60

Nelson (direita) e Otto Lara Resende, mais ou menos em 1950

Eu também sou obsessivo, meus colegas sabem, não páro de falar do Nelson um só instante, como ele fazia com o Otto Lara. Ele morreu em 1980, com o privilégio de ter tido uma vida mais trágica que qualquer uma de suas peças.

Lucas de Sena Lima

Carta de Nelson a Otto, sem data.

Carta de Nelson a Otto, sem data.

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O livro O Casamento foi escrito sob encomenda, e foi o único romance assinado por Nelson Rodrigues. Esta instituição, o casamento, era um dos principais alvos do mestre. Ela era vista como palco de hipocrisia, da morte espiritual do sujeito. Sua crítica, e até mesmo sua escrita, já foi comparada com a de Eça de Queirós neste tema.

Capa da 1ª ediçao - Editora Eldorado, 1966

Capa da 1ª ediçao - Editora Eldorado, 1966

Considerado pela “Marcha da família com Deus pela Liberdade”, órgão simpatizante da ditadura militar no Brasil, como um “atentado contra a organização social pela família”, O Casamento foi o primeiro livro censurado após o golpe de 1964, tendo seus exemplares confiscados pelo Estado. Era 1966.

Quem conhece um pouco de História do Brasil estremece com esse nome; sabe quem encomendou o livro a Nelson? Carlos Lacerda, que havia acabado de fundar a Editora Nova Fronteira. Sabino é a protagonista do livro, e o casamento referente ao nome do livro é o de sua filha, Glorinha.

Cena da adaptação do romance para o cinema - Direção de Arnaldo Jabor, 1975

Cena da adaptação do romance para o cinema - Direção de Arnaldo Jabor, 1975

Bem no começo da narrativa, Sabino não conseguia se relacionar com uma prostituta, pois brotavam do seu inconsciente o lençol, o pijama, a cama e o cheiro do leito de seu pai, e a imagem olfativa da morte – seu pai morrera defecando, e esta imagem o persegue no decorrer de todo o livro. Sabino não conseguia manter nenhuma relação sexual com ninguém por conta do seu pudor, a não ser solitariamente, maneira à qual tinha asco de chamar “masturbação”; tratava por “onanismo”. Sabino tinha pudor com as palavras.

Uma frase antológica de Sabino, inserida nas antologias de aforismos rodrigueanos, é a que versa sobre o ofício do ginecologista: “Todo ginecologista devia ser casto. O ginecologista devia andar com batina, sandálias e coroinha na cabeça. Como um São Francisco de Assis, com luva de borracha e um passarinho em cada ombro.”

Sabino é perseguido por imagens: a da mãe se masturbando, a do desabrochamento da filha na lua-de-mel, seu desejo sexual pela filha, entre outros. As cenas pretendem chocar, mas só para não nos deixar esquecer que somos feitos de libido e desejo, e que nossas vontades individuais se confrontam com a moral da sociedade, causando uma tensão perturbadora no sujeito. É impressionante: uma cena após outra de sordidez, morbidez e luxúria, recalques vindo à tona, num texto limpo, muito bem escrito, quase jornalístico.

"Hoje, a primeira noite é a centésima, a qüinquagésima. O casamento já é uma rotina antes de começar."

"Hoje, a primeira noite é a centésima, a qüinquagésima. O casamento já é uma rotina antes de começar."

O desejo, a impossibilidade deste e as sombras que rondam a consciência são temas rodrigueanos que encontram reflexos em Dostoievski, Goethe, Graciliano Ramos e Shakespeare, entre outros grandes escritores e dramaturgos.

[A seguir: primeira parte da entrevista dada a Otto Lara Resende, para a futura extinta TV Globo]

Lucas de Sena Lima

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Credo! Deus me livre! são as primeiras reações da pessoa. Você já pensou em matar alguém? E em conceber uma prima em incesto?

Ei, leitor, eu estou falando com você!

Você já teve vontade de matar alguém? De agredir fisicamente? Verbalmente eu tenho quase certeza que você já agrediu, o que é normal.

A situação é a seguinte: todos temos demônios, coisa-ruins dentro da gente, que nos perturbam, atormentam, em determinado momento. E eu ainda não estou falando de crença, do capeta, essas coisas.

A cólera e os demais sentimentos negativos fazem parte da natureza humana, e segundo a psicanálise e o bom-senso pregam, não adianta negar esses sentimentos. Ah, mas não adianta mesmo. O negócio é assumir que todos nós carregamos um canalha em potencial. E que devemos manter ele por perto, sob vigília, e não negá-lo veementemente. Uma vez que negamos sentimentos, eles se instalam na nossa subconsciência, esperando o momento certo para saltarem sob a forma de uma submetralhadora numa sessão de Clube da Luta. Ou num ato de violência sexual. Você já se pôs sob a ótica da mulher adúltera?

E como eu faço pra expurgar esses instintos, as necessidades? A literatura, as artes e as demais manifestações culturais humanas já mostram isso de tempos em tempos.

Lembra da figura de São Miguel Arcanjo? Pois é, ele subjuga um demônio sob seu pé. A figura de Miguel está condenada a manter o demo sob sua vigília durante toda a eternidade, por isso o homem a concebeu em estátua. O homem cria para se aproximar de Deus, e para sempre se deparar com os motivos inconscientes que o levaram à criação.

São Miguel Arcanjo, mantendo a figura demoníaca sob seu pé.

São Miguel Arcanjo, mantendo a figura demoníaca sob seu pé.

E São Jorge? Vive na Lua, lá, conforme o dito, a batalhar com o Dragão. Essas divindades culturais do Ocidente são mostras da batalha deste homem, que guerreia contra os dragões que carrega em si. Eu ainda não estou falando de Shakespeare.

No baralho do Tarô de Marselha, a carta de número 11, A Força, traz uma jovem domando um leão pela boca. Reflexo de uma situação: o domínio e a constante observância da fera, jamais a negação dela. A dominação, nesta carta, é feita pela mulher, pelo lado feminino, o mesmo que rege as artes, a beleza.  Percebe?

Arcano XI - A Força

Arcano XI - A Força

Pretendo, no decorrer das quintas-feiras, homenagear o dramaturgo e escritor brasileiro que melhor soube trazer estes demônios à nossa frente. Nelson Rodrigues – que mostrou a nossa lama interior e a esfregou em nossa cara, para nos provar que todos, por melhores pais de família, advogados e padres que somos, temos dentro de nós um traidor, um canalha e um pervertido em potencial.

Por ora, uma foto e algumas palavras.

"Uma peça de teatro deve ser um tapa na cara do espectador".  "Todo tímido é candidato a um crime sexual".  "Nada nos humilha mais do que a coragem alheia".

"Uma peça de teatro deve ser um tapa na cara do espectador". Ou: "Todo tímido é candidato a um crime sexual". Ou: "Nada nos humilha mais do que a coragem alheia".

Lucas de Sena Lima

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