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Archive for the ‘ARTIGOS’ Category

Mitologia egípcia – uma introdução

Por: Nathaly Felipe Ferreira Alves

Este é o primeiro post que versará sobre a cultura egípcia da Antiguidade.

Abu Simbel

A civilização egípcia e sua grandiosidade encantaram os antigos, influenciando, ainda que, às vezes indiretamente, a cultura religiosa e científica dos gregos – berço da civilização ocidental – como alguns gostam de apontar. O fascínio exercido pelo Egito e seus mistérios tem, contudo, atraído muito atenção e consideração mesmo hodiernamente.

A história do Egito remonta a 3000 a. C., com o que os historiadores denominam de “as grandes dinastias”, período imperial em que o poder faraônico preponderava. Menes foi o primeiro faraó, importantíssimo ao império. Fundador da cidade de Menfis, Menes delimitou as fronteiras territoriais do país (que na Antiguidade, estendiam-se do Sudão atual até o Mar Mediterrâneo), bem como construiu templos destinados a Hórus, a Ísis e a Osíris.

Existe uma linha de pesquisa que crê em uma gênese mais antiga da civilização do Egito. Tal raciocínio alega que ela existiria desde o desaparecimento dos atlantes, atribuindo ao fenômeno a data de 12.000 atrás.

A soberania dos faraós se extinguiu em 525 a. C., ano em que o Egito foi incorporado ao Império Persa. A partir deste

Pedra de Roseta - encontrada na cidade de Roseta, no Egito, esta pedra contém a chave para a decifração dos hieróglifos (escritos sagrados). No final do século XIX, o francês Champollion, considerado o pai da Egiptologia, decifrou seu conteúdo a partir da comparação do copta com o demótico e grego antigo (idiomas encontrados na inscrição). A Roseta traz a mensagem de sacerdotes que elogiam a honradez e a probidade de uma faraó. Abaixo da mensagem, há uma instrução: a informação da pedra deve ser disseminada pelo mundo. Daí, advém a tradução em grego e demótico, para a sorte do francês Champollion.

 momento, a nação das pirâmides estava fadada a sofrer inúmeras invasões. Em 332 a. C., Alexandre Magno anexou o país à Grécia. O domínio grego durou cerca de 300 anos e foi responsável por uma intensa troca cultural, como se mencionou anteriormente.

Em 30 a. C, Roma e suas belicosas legiões invadiram o Egito, que permaneceu como província romana até 395 d. C. Mesmo ano em que o país passou ao domínio do Império Bizantino. Em 640 da nossa era, ocorreu a invasão árabe que perdurou até 1517 e redefiniu a religião dos egípcios até os dias atuais: a mensagem maometana tem vez e voz. Já em 1517, o Egito é subjugado ao poderio turco.

Mesmo Napoleão, grande admirador da cultura dos faraós, ocupou durante dois anos o país (após vencer os turcos em 1798). Em 1882, a Inglaterra conquistou o território egípcio, criando o “Protetorado Britânico”. Finalmente em 1953, é fundada a República do Egito.

Situado praticamente dentro do deserto do Saara, o Egito possui até hoje um verdadeiro presente dos deuses que permite à população viver a sua volta, assim como permitiu florescer a rica cultura das antigas dinastias: o rio da Vida, o Nilo (que, curiosamente, corre de Norte a Sul e não de Leste a Oeste, como se observa em outros rios).

Manancial infindável da imaginação, o Egito divide com a humanidade sua cultura intensa e reveladora. Em um futuro post, falaremos um pouco mais sobre o Mitologia dos Egípcios e da sua visão de mundo.

Até lá!

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                       Autismo Infantil e Síndrome de Asperger compõem o espectro autístico e se caracterizam pelos impedimentos graves nas áreas de interação social, comunicação verbal e não-verbal e outros interesses. No entanto, é preciso ressaltar algumas diferenças presentes em cada um dos transtornos.

                        Em 1943, Kanner propôs a definição “Distúrbio Autístico do Contato Afetivo” (Autismo Infantil) com as seguintes características: perturbações das relações afetivas com o meio, solidão extrema, inabilidade no ato da comunicação, presença de potencialidades cognitivas, aspecto físico normal, rituais (estereotipias), início precoce e incidência predominante no sexo masculino.

                        Sabe-se que em indivíduos autistas existe uma incapacidade na identificação, compreensão e na atribuição de sentimentos e intenções, o que ocasiona prejuízo nas relações interpessoais.

                        Em 1944, o estudioso Asperger definiu “Psicopatia Autística” (Síndrome de Asperger) como um distúrbio com severos problemas de interação social. Depois foi descrita com um transtorno de prejuízos específicos nas áreas da comunicação, imaginação e socialização. Também depois conhecida como a “síndrome do gênio autista”.

                        Para diferenciar um transtorno do outro foram considerados dois critérios importantes: período de aquisição da fala e a idade de identificação do diagnóstico.

                        A Síndrome de Asperger distingue-se do Autismo Infantil pelo fato de não de não se verificar retardo ou alteração significativa da linguagem, bem como do desenvolvimento cognitivo, embora os indivíduos apresentem dificuldade de reconhecimento de regras convencionais da conversação e uso restrito de sinais não-verbais, como o contato visual, expressão facial e corporal. Vale lembrar que não há uma idade “certa” para a manifestação desta síndrome, diferentemente do Autismo Infantil que é manifestado antes dos 3 anos.

                        É preciso que haja buscas por conceitos e critérios diagnósticos mais precisos, tendo em vista a dificuldade dos estudiosos em classificarem esses transtornos globais do desenvolvimento e, além disso, que intervenções adequadas possam ser identificadas tanto no caso de Autismo Infantil quanto no de Síndrome de Asperger.

http://www.youtube.com/watch?v=rloNvRuzwzE. Vejam esse matéria sobre Síndrome de Asperger publicada no Fantástico (Globo) sobre Glenn Gould, pianista com Síndrome de Asperger e um dos melhores representantes da música de Bach.

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PAULA CRISTINA

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Fonte: Artigo: “Uma breve revisão histórica sobre a construção dos conceitos do Autismo Infantil e da síndrome de Asperger”, por Ana Carina Tamanaha, Jacy Perissinoto, e Brasília Maria Chiari (2008).

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PRIMEIRA PARTE

Uma das grandes discussões de Foucault, em suas obras, é a relação entre discurso e poder. Para ele quanto menos uma pessoa exercer poder sobre outra melhor é a relação entre essas pessoas.

Sua filosofia diz que todo e qualquer discurso está impregnado de poder e, portanto, estabelece a relação de opressão, já que esta é produto da outra.

Em nossa sociedade capitalista cujos meios de comunicação são cada vez mais “ferozes” e os discursos mais sedutores, é de extrema importância dar luz às ideias de Foucault e trazê-las para a nossa realidade.

Nas relações humanas há o exercício do poder e este dita o que é ou não verdade. O que é verdade? São discursos sedimentados que foram aceitos ao longo do tempo. Acontece desta maneira: lança-se um discurso. Ou as pessoas aceitam, tornando-o verdade, ou não. Daí, pode-se pensar em “loucura”. Foucault transmite a ideia de que é um conceito social e não falta de razão, como acreditava Descartes (René Descartes, filósofo).

A loucura para Foucault era uma questão de discernimento em relação aos demais e determinadas situações. Há pessoas que sabem qual “comportamento” devem seguir para serem aceitas e outras simplesmente não têm tal discernimento.

Em sua obra Vigiar e Punir, o autor analisa o espaço (arquitetura) para o exercício do poder e o adestramento a ser realizado nesses espaços.

Como educadora, atento-me quando Foucault discorre sobre a arquitetura do poder com o intento de vigilância, exemplificando como modelos a fábrica, o manicômio, a prisão e a escola.

Entre outros aspectos, a disposição das carteiras em fileiras, a própria sala de aula em formato quadrangular (para o ser humano ser “enquadrado”, seguir normas) são evidências de contínuo uso do poder e da opressão nas escolas. Há também o sistema de vigilância com os chamados “inspectores”, carcereiros modernos. Além disso, professores-generais, que não estabelecem interação e mediação com os seus alunos, continuam comandando e oprimindo seus alunos.

Sem dúvida, Foucault é um dos filósofos que muito nos tem a ensinar, ou melhor, pretende aguçar nossas dúvidas e nos  instigar a buscar respostas. Pretendo na segunda parte abordar um pouco mais a questão do poder e introduzir um assunto um tanto polêmico: sexualidade. Sugiro algumas leituras e pesquisas:

FOUCAULT, M. História da Loucura.

FOUCAULT, M. Vigiar e Punir.

FOUCAULT, M. História da sexualidade: a vontade de saber. vol. 1

FOUCAULT, M. História da sexualidade: uso dos prazeres. vol. 2

FOUCAULT, M. História da sexualidade: o cuidado de si. vol. 3

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loucura. s.f 1.distúrbio da mente do indivíduo que o afasta de seus métodos habituais de pensar, sentir e agir. 2. perda da razão. (HOUAISS)

razão. s.f  1. raciocínio. 2 capacidade de avaliar corretamente; juízo. (HOUAISS)

discernimento. s.m 1. capacidade de separar o certo do errado. (HOUAISS)

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PAULA CRISTINA

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O que é o labirinto?

Uma questão digna de páginas e páginas que remeterão ao passado do Homem, à sua epopéia pelo mundo, geração após geração.

O labirinto, com sua mística, seu mistério, desperta curiosidade por sua tão instigante simbologia – que mesmo incógnita está ali, nos incitando.

Desafio que demanda ininterrupto pôr-se em movimento.

Místico, mítico, mágico, oculto… a imagem do labirinto é sinal presente nas mais diversas realidades culturais do Homem.

Quem não ouviu falar do labirinto de Creta, com a sinistra figura do Minotauro a guardar seus corredores e devorar os jovens que lhe eram dados em sacrifício?

Labirinto do Minotauro: mosaico romano em Conímbriga (região de Coimbra, Portugal)

Ou da história de João e Maria, cuja infrutífera tentativa de demarcar o caminho os leva a vagar sem rumo pela tenebrosa e labiríntica floresta – e os deixa à mercê da sedução e da maldade da bruxa?

João e Maria - Hansel e Gretel, em alemão, como recolhido pelos irmãos Grimm (arte de Arthur Rackham, 1909)

Isso para citar apenas exemplos da tradição ocidental.
No imaginário cristão, o labirinto representa a peregrinação terrena do homem, em sua trajetória de retorno a Deus.

Símbolo da existência humana, com seus obstáculos e dificuldades, suas nuances e incertezas. Estar próximo da meta e não alcançá-la, e contudo não abdicar da busca.

Esforço; desânimo; abandono; reabilitação. TRANSFORMAÇÃO. O objetivo é claro ao viandante do labirinto: a busca pela Vida. Perfaz-se a figura do povo escolhido, que procura a Terra Prometida, a meta, através do tempo e do espaço. É preciso moldar-se, adaptar-se. Evoluir, à medida que se caminha.

Quanto ao caminho exato… não se sabe. Descobre-se.

Essa perspectiva tem profunda relação com um período muito estigmatizado da Humanidade: a Idade Média.

De fato, o Medievo ocupa o imaginário contemporâneo – nos mais variados aspectos, e apesar ‘contaminações’ diversas a uns e a outros… Fascina saber que, há tempos, homens como nós viviam guiados por valores tão diversos dos que temos hoje.

E encanta a percepção de que aquela visão de mundo possuía uma estética própria, por assim dizer. Um ‘estilo artístico’ que encerra em si as marcas desse período e desse modo de vida: o Gótico.

“Gótico”, termo depreciativo usado pelos homens das Luzes para se referir a tudo aquilo que remetia a um suposto tempo de trevas da humanidade: tempo em que o Homem não tinha os olhos só para si, mas os tinha, antes, para os céus.

Eclipse bárbaro da história da Europa, na visão daqueles ‘iluminados’. Mas mal viam eles que, sob o ponto de vista da Fé – fé cristã –, o gótico trazia em si prenúncios da elevação humana, da possibilidade de se alcançar a mesma essência do Criador – efetivamente Sua imagem e semelhança. Apesar dos percalços.

Eis uma das possibilidades quando se analisa a grandeza da arquitetura chamada gótica.

As impressionantes catedrais, concentradas inicialmente na França do século XII, lentamente ganharam a Europa. Registro histórico de grandes mudanças… a riqueza dos pórticos, esculturas e estátuas, a grandeza das abóbadas nervuradas e arcos ogivais, a inundação luminosa dos vitrais e rosáceas, tudo sinaliza a presença da Natureza nos desígnios divinos.

Santos em certa medida ‘humanizados’, diferentemente da arte ortodoxa e românica, que vislumbrava o perfectum, o já transfigurado. Representação do cotidiano nos retábulos, nos adornos: plantas, profissões; rostos, corpos; emoções, pecados. E a Redenção.

O homem comum surgia na temática da arte da Igreja. Aparecia uma nova linguagem, cujas bases estavam na Escolástica de São Tomás de Aquino, na reorganização do mundo europeu com o surgimento e fortalecimento dos burgos, no crescimento do poder dos reis, nas Cruzadas, no declínio do temor do “fim dos tempos” do século X…

E eis que ele ressurge. O LABIRINTO…

Memorial do itinerário humano na terra. Com veredas já estabelecidas, mas cujos caminhos residem nas mãos e consciências dos homens.

Fides et Ratio. Fé e Razão, que caminham juntas, contradizendo-se e completando-se numa relação simbiótica que perdura até nossos dias.

Há muito a se dizer sobre esse tema, enfim…

Antes de concluir, uma nota histórica: uma das mais importantes catedrais góticas é a de Nossa Senhora de Chartres, na pequenina cidade de mesmo nome, próxima a Paris, noroeste da França. Iniciada em 1145 e reiniciada em 1194 (após um incêndio), foi grande centro de peregrinação, e teve renome a ponto de ser palco da sagração do rei Henrique IV, em 1594. Chama a atenção uma catedral tão grande e bela numa vila tão pequena (apesar de religiosamente importante desde antes do século X), e também o fato de boa parte de sua construção final ser atribuída aos peregrinos que a ela acorriam, trabalhando de dia e celebrando sua fé à noite.

Pois bem: o labirinto retratado no início deste post é cópia no que está DENTRO da Catedral de Chartres, no piso da nave central; ele constitui um grande e delicioso mistério, dos muitos que as catedrais góticas reservam até hoje.

Alexandre Oliveira

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"Liverpool's Fab Four"

"Liverpool's Fab Four"

Convido-os a esta leitura – não se trata de um post sobre música, mas sobre cultura. E diz respeito a todos nós, futuros professores.

Sou fã dos Beatles, por causa deles mesmos e por causa do meu pai, que, desde que nasci, me apresentou ao grandioso mundo dos ‘Fab Four’ de Liverpool.

Uma síntese de sua importância cultural, social, etc. pode ser encontrada (muito provavelmente à revelia deles próprios) na música Hello, Goodbye, de 1967 (lançada também como single). É uma música simples, quase boba, mas que pode significar muito: a ‘nova ordem social’. O obsoleto que dá lugar ao novo. “Você diz tchau, eu digo oi”, canta Paul McCartney… 

A letra (em inglês) pode ser obtida aqui.

Naquele momento, e por diversos fatores (dos quais os Beatles são apenas pequenina mas visível parte), o mundo conhecia uma nova freqüência, uma mudança de sintonia. O discurso mostrou-se grandiloquente: mordaças rasgadas; amarras destruídas; grilhões rompidos. O peso de um passado opressor ruía sobre si mesmo, cedendo lugar a uma era de compreensão, de esclarecimento, de contestação visando a melhora. A era da Democracia. Da Liberdade.

… É mesmo?

O mundo de hoje vive um momento de profunda incerteza. A “grandeza” tecnológica (entre aspas, porque é acessível somente a alguns e porque traveste-se de solução para todos os problemas) opõe-se à estagnação, ou ao ‘encolhimento’, social. O comportamento das pessoas – especialmente os mais jovens – não mais é guiado, ainda que de modo relativo,  pela reverência ao mais velho, ao mais antigo, ao mais experimentado.

Em vez da ‘cultura do aprendizado’, temos vivido uma ‘cultura do hedonismo’. Entre diversas oposições que podem ser feitas, exploro esta: o amor a si próprio e a busca pelo prazer momentâneo não podem ser ameaçados por regras, por conselhos, por um comportamento pré-determinado (ainda que o seja devido à experiência de gerações anteriores). Não há espaço para o DISCERNIMENTO – que necessita muito da experiência prévia, herdada…

Parece bobagem, mas é algo muito sério.

Essa dificuldade é patente na ESCOLA: a figura do Mestre, do Professor, há tempos não representa a Autoridade (não a autoridade imposta, mas a ‘natural’: a autoridade de quem conhece e age para transmitir esse conhecimento).

E a figura do Professor é (ou era) diretamente relacionada à dos Pais, e estes também têm perdido esta Autoridade nos últimos anos. Talvez porque as crianças descubram desde muito cedo, e sem a maturidade necessária, que os pais não são ‘super-heróis’ – e, portanto, dignos de admiração, imitação e respeito -, mas pessoas comuns, defeituosas, frágeis (às vezes, em exagero…), e por dedução, IGUAIS.

Culpa da carga de informações tão grande à que se está exposto hoje? Ou do modelo “psico-pedagógico-moral-social” que o Ocidente elegeu como o ideal para se educar os mais jovens? Ou simplesmente um sinal dos tempos (sem insinuações apocalípticas…)?

Não o sabemos. Os teóricos estão teorizando, como nunca: porém, a transformação social por que passa o Ocidente (de passado cristão, mas de presente, mais que nunca, laico) ainda está em marcha. Irrefreável. Irresistível.

O “Problema Escola” não é privilégio de países pobres: os problemas ocorrem no Brasil, no Chile, na França, na Alemanha. A instituição escolar não consegue mais cativar os alunos sem que haja um trabalho profundo, uma mobilização muito específica para tal. A Escola é muito lenta, quase paquidérmica… essas ações sobre o modo com que se faz a Escola são pontuais, localizadas; não têm longo alcançe, porque exigem uma mudança de pensamento tão profunda e extensa, e em tantas pessoas, que é quase impraticável.

Bem, estamos mudando, quer queiramos, quer não. Mas a impressão que tenho é que, 40 anos atrás, alguém disse Goodbye, mas ainda não apareceu ninguém para dizer Hello… temos que descobrir o que faremos com essas mudanças todas, pois o custo de nossa dúvida pode ser a condenação de gerações de jovens, que já têm crescido com seus valores e visões de mundo completamente distorcidos.

Onde estamos nós?

É simplesmente uma visão MINHA, cheia de lacunas, de que os convido a concordar ou discordar.

Além disso, não apresento respostas, nem propostas… Mas temos de encontrá-las logo. 

Antes que seja muito tarde.

Alexandre Oliveira

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Com todas as euforias e perturbações, ponho-me a falar do meio ambiente, mais precisamente da devastação da Mata Atlântica. Efeito Estufa, Camada de Ozônio, Tempestades, Seca, Trovões, Animais em Extinção, Flora devastada… Lucro. Ganância. Nada de ordem nem de progresso. O fim? Lembrei-me do filme 2012, apenas assim, ao acaso… Como anda o nosso Brasil?

 Mas, voltemos ao assunto central – a devastação da Mata Atlântica.

Entre nós é nulo o amor por nossas florestas, nula a compreensão das infelizes conseqüências que derivam de seu empobrecimento e do horror que resultaria de sua completa destruição. Fortalecer o sentimento                (de conservação) é uma medida de necessidade urgente.

A destruição e utilização imprópria da Mata Atlântica começou em 1500 com a chegada dos europeus. Os portugueses preocupados em ganhar com a exploração do pau-brasil deram início a devastação ao que chamavam de “paraíso”. A relação dos colonizadores e seus sucessores com a floresta e seus recursos foi a mais predatória possível. E, no século XX, o desmatamento e a exploração madeireira atingiram níveis alarmantes.
Um estudo da organização ambientalista Conservation International – CI, (O Globo, 29/11/1999) coloca a Mata Atlântica entre os cinco primeiros colocados na lista dos Hot Spots, áreas de alta biodiversidade mais ameaçadas do planeta e prioritárias para ações urgentes de conservação. O motivo é o desmatamento, ainda acelerado e fora do controle dos órgãos políticos responsáveis.
O monitoramento desse ecossistema realizado pela Fundação SOS Mata Atlântica, em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o Instituto Socioambiental (ISA) mostrou que, somente entre 1990 e 1995, mais de meio milhão de hectares de florestas foram destruídos em nove estados nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
Esse valor é equivalente a mais de 714 mil campos de futebol eliminados do mapa em apenas cinco anos, a uma velocidade de um campo de futebol derrubado a cada quatro minutos.
Vale ainda dizer que entre 1985 e 1990, foram cortadas na Mata Atlântica 1.200.000.000 árvores.
Atualmente, a Mata Atlântica sobrevive em cerca de 100 quilômetros quadrados, 7,3% de sua área original que acompanhava a costa brasileira do Nordeste ao Sul. No passado esse ecossistema ocupava 1.3 milhão de quilômetros quadrados…

“Nos dias de hoje de maneira geral, o desmatamento ocorre devido à especulação imobiliária, expansão da agricultura e utilização para pastagens. A derrubada de matas tem ocorrido também nas chamadas frentes agrícolas; para aumentar a quantidade de áreas para a agricultura muitos fazendeiros derrubam quilômetros de árvores para a agricultura e também pecuária o que resulta em grande perda de área a mata; a área destinada à pastagem é praticamente perdida, pois sua produtividade é baixíssima”. http://educar.sc.usp.br/biologia/textos/matatlan.html

Mata Atlântica – O fim?

Para saber mais:
CAPOBIANCO, João Paulo, Revista Veja – A chance de evitar o pior p.37 03/Junho/1998

DEAN, Warren. A ferro e fogo – A História e a Devastação da Mata Atlântica Brasileira. São Paulo: Companhia das Letras, 1996

FERRI, Mário Guimarães. Ecologia: temas e problemas brasileiros. Editora Itatiaia
São Paulo Vol 3 1974

RIZZINI, Carlos Toledo, Ecossistemas Brasileiros.

 

PAULA CRISTINA

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Cantiga de D. Dinis, o Rei Trovador

“Ai senhor fremosa, por Deus”

01 Ai senhor fremosa, por Deus,

02 e por quam boa vos El fez,

03 doede-vos algũa vez

04 de mim e destes olhos meus,

 

05 que vos virom por mal de si,

06 quando vos virom, e por mi.

 

07 E, porque vos fez Deus melhor

08 de quantas fez, e mais valer,

09 querede-vos de mim doer

10 e destes meus olhos, senhor,

 

11 que vos virom por mal de si,

12 quando vos virom, e por mi.

 

13 E, porque o al nom é rem

14 senom o bem que vos Deus deu,

15 querede-vos doer do meu

16 mal e dos meus olhos, meu bem,

 

17 que vos virom por mal de si,

18 quando vos virom, e por mi.

(CBa 529, 526)

Iluminura medieval que retrata os mistérios do Amor Cortês.

Iluminura medieval que retrata os mistérios do Amor Cortês.

Possíveis comentários:

O trovador roga à amada que tenha compaixão dele e dos seus olhos. A temática de “Ai senhor fremosa, por Deus” delimita-se, portanto, no campo da visão, sentido muito citado em toda a lírica trovadoresca. O trovador suspira, invocando mais uma vez a divindade para tentar abrandar o insensível coração de sua senhor. Apesar desse apelo a Deus (artifício do poema medieval, como já dissemos), podemos perceber um aspecto sensual que permeia toda a cantiga.

Na primeira cobra, o eu lírico suspira por sua dama, a mais bela dentre as mulheres (versos 1, 2, 7 e 8), expondo imediatamente seu drama. Ele sofre desde o aziago dia em que a viu (refrões). O poeta, cogitando a possibilidade de sua amada se condoer pela sua dor (verso 3), explica que a causa de “seu mal terrível” provém do ser amado. A crise do trovador se intensifica à medida que ele deseja ser perdoado pela sua amada, que se configura como impassível, sans merci.

Percebemos, dessa maneira, uma possível dicotomia: “bem” x “mal”. A dama “e por quam boa vos El fez” é belíssima e,  configura-se como o Bem Supremo do trovador, o próprio amor (sua origem e seu fim). Concomitantemente, a mulher cumpre o papel de agente da dor do poeta, agente maléfico, portanto. O motivo do sofrimento do trovador (o momento em que vê sua amada) também é duplo: os olhos, enquanto veículo do amor, vislumbram a beleza inebriante da dama, tal como se vislumbrassem a aurora (ousamos a comparação, apoiando-nos na concepção da beleza medieval, de caráter canônico). O impacto da visão da mulher ideal é tamanho que o poeta não hesita em admirá-la; seus sentidos se aguçam e ele entra no perigoso jogo do desejo; finalmente preso às tramas da paixão, o poeta se mantém inerte, ludibriado pelos encantos sobrenaturais da senhora, a quem se coloca como vassalo amoroso.

Haja vista a cantiga não possuir diálogos, dada a sua estrutura formal, percebemos que, apesar de enfeitiçado pela beleza erótica feminina e torturado pelo seu desejo visivelmente carnal, o eu lírico se mantém alerta, como se ensaiasse uma fala a sua senhora.  A segunda estrofe corrobora essa afirmação. Nela, pois, o trovador elogia sua suserana, usando as mesmas qualidades do elogio para rogar sua atenção. Sendo a dama tão boa e tão bela, como renegar o amor de seu pretendente?

O tom elegíaco da cantiga continua na terceira cobra. O trovador usa de seu talento para lidar com as palavras, ratificando a beleza da amada, bem como sua bondade, com a condição que ela se condoa dele, e mais: aceite suas súplicas mais pulsantes e carnais, portanto (versos 14 e 15).

A cantiga é composta por 3 cobras, tendo o talho como estrutura estrófica.  Há 18 versos, todos decassílabos agudos (excetuando os versos 1 e 4 que são graves). Há enjambement entre os versos 3 e 4, 7 e 8, 9 e 10, bem como entre os 15 e 16. As rimas são interpoladas (ABBA) nas cobras e paralelas (AA) nos refrões, todas são finais e consoantes; ricas nas 1ª e 3ª cobras e pobres na 2ª estrofe e nos refrões. Há cesura nas quartas sílabas de todos os versos.

♦Nathaly Felipe Ferreira Alves♦

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