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Archive for the ‘história da arte’ Category

Por: Nathaly Alves

 

Mímese: imitação das aparências, das essências, das ações, ou dos estados de alma?

Particularmente significativo para o entendimento do fenômeno artístico, principalmente do literário, o conceito de mimesis tem sido objeto de análise de muitos estudiosos desde os filósofos da Grécia Antiga.

Mímese, grosso modo, significa “imitação” e, nesse sentido, pode possuir diversas interpretações.

Para Platão, a arte, sob o prisma mimético, dizia respeito às opiniões e às aparências representadoras do mundo dito real. Segundo esta concepção, portanto, a mímese representa a imitação das aparências (da realidade).

Segundo a doutrina platônica, porém, faz-se válida a lembrança de que a realidade em si é meramente uma imagem, praticamente um vulto, por assim dizer, do plano das ideias eternas. Pensando desta forma, a arte se configuraria como uma espécie de espectro da realidade, um simulacro que não mostraria reconhecimento verdadeiro em um plano de realidade.

Por outro lado, Aristóteles relaciona o conceito de mímese à imitação das essências do mundo. Desta maneira, o imitar não estaria sujeito à mera duplicação de uma imagem referente, por exemplo. A configuração mimética, de acordo com o ensinamento aristotélico, implicaria em um profundo conhecimento da natureza humana. Atrelada ao conceito de mímese de Aristóteles, o objeto da arte se tornaria real na medida em que se dirigisse purificação que liberta os seres: a catarse.

Outros estudos gregos da Antiguidade, como os de Pitágoras, versam que o fenômeno mimético não é senão a “expressão dos estados de alma”, que implicariam até mesmo em uma possível terapia para autor e leitores da arte, à medida que os sentimentos seriam tratados quando expostos.

De qualquer forma, a mímese entendida como espelho passou por séculos até o conceito aristotélico foi verdadeiramente decodificado em seu real significado por Kant, Hegel (filósofos) e Hölderlin (escritor). A partir das considerações destes estudiosos, a mímese passou a ser encarada como manifestação da plenitude da realidade.

Pensando propriamente em literatura, percebe-se que a linguagem – convencional e arbitrária – configura uma realidade mais essencial que virtual. A realidade é transmutada em simbologia de essências universais, pois imitar não é copiar. A arte complementa a natureza sem, necessariamente, confundir-se com ela.

Mímese, em síntese, pode ser considerada atualmente como imitação, tal como os gregos proferiram. Mas, reprodução de sua capacidade de gerar, de criar. Além disso, antes da imitação da força natural, da realidade, da materialidade, da substancialidade, enfim… Pode-se entender que, hoje, a arte, por meio da mímese, recria a realidade, absorvendo sua essência revigorando-a. Criando seu próprio universo.

 

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Algumas considerações…

Por: Nathaly Felipe Ferreira Alves

Personagem que figura a mitologia egípcia, grega e babilônica a Esfinge é sinônimo de força, de poder, mas também de mistério, introspecção e autoconhecimento.

Antes de continuarmos nossa exposição das principais figuras da mitologia egípcia, gostaríamos de refletir, ainda que minimamente, sobre o que, afinal, representa a mitologia. Ousamos também entender quais seriam seus possíveis propósitos.

A gênese de todos os mitos perde-se nas brumas do tempo. Não se pode dizer exatamente de onde essas histórias realmente advêm. E, apesar de magníficas, geralmente tais narrativas não são “palpáveis”, na medida em que gravitam na órbita do maravilhoso, do onírico, do mágico. Justamente por este motivo, de maneira geral, a mitologia não agasalha as tais “verdades científicas”, porque transportá-la ao real seria como destituí-la de todo o seu encanto.

Se não sabemos sua origem, podemos saber sua função?

Para que servem os mitos? Além de possuirem, como já mencionamos, um cunho totalmente imaginoso, capaz de nos levar às viagens mais incríveis do gênio humano, capaz de nos maravilhar, a mitologia aborda os temas ocultos, parcamente compreendidos pela razão.

Mas… tentemos entender o valor da mitologia para os nossos ancestrais. Tarefa árdua, uma vez que não podemos voltar aos primórdios dos tempos da criação destas histórias, tampouco possuimos  a visão dos antigos. Podemos, contudo, promover uma tentativa, desde que nos inclinemos à visão de outrora. Imparcialidade? Não. Não podemos alcançá-la. Mas, se pudermos ao menos entender o pensamento dos antigos, com o ideário deles (fazendo isso com o mínimo de pesquisa e desprendimento às considerações “modernas”, bem como sem o preconceito proveniente da falta de consciência histórica, por assim dizer) talvez possamos entender a função dos mitos.

Remetendo nosso pensamento à Antiguidade, os mitos não indicariam algo considerado falso (afinal, hoje em dia, esse é um dos sinônimos da palavra), senão o código segundo o qual as divindades transmitiam sua linguagem e seus ensinamentos à humanidade. Por meio deles, desta forma, seria possível estabelecer uma real conexão com os imortais, aprendendo com eles.

Entendendo as condições criativas e criadoras dos mitos, pensemos: por que a mitologia apresenta uma linguagem na maioria das vezes ambígua? Seguindo a linha de aprendizado que o mito nos proporciona, não aprendizado moral, mas essencial, podemos sugerir que a humanidade precisa aprender a interpretar para encontrar o seu próprio caminho. Nenhum deus, portanto, poderia falar diretamente com um indivíduo humano. Este precisa deixar-se levar pela névoa do mito, pelo mundo mágico do mito para entender o mundo real. Conhecer as possibilidades.

Encarando os mitos desta forma, compreendemos porque eles não precisam competir com a ciência, por exemplo. A mitologia nos mostra os mistérios da vida, narrando nossos dramas existenciais coletivos e individuais. Traduzem nossas alegrias e tristezas, enfim… Enquanto criação humana, a mitologia canaliza todos os nossos anseios e medos e nos ensina a enfrentar os nossos dragões.

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Por: Nathaly Felipe Ferreira Alves


A civilização egípcia  que se manteve ativa por mais de três mil anos. Foi responsável pela criação de um império religioso-científico eminente. Criadores de alguns princípios da matemática, da astronomia, da medicina e da agrimensura, os egípcios também foram desenvolvedores de um código linguístico incrivelmente complexo e  rico, os hieróglifos, a que demos uma rápida atenção no último post.

Permeada em uma atmosfera de fascínio e de mistério, e amparada sobre intensa efervescência cultural, principalmente promovida pelas lendas, floresceu a mitologia egípcia.

A mitologia dos egípcios agasalha as mais diversas divindades, as quais comumente podemos relacionar, em grau de similaridade, com outros panteões. O grego, por exemplo, apresenta variadas expressões mitológicas semelhantes às do Egito.  Preferimos, contudo, relembrar apenas as deidades consideradas “principais”, as mais significativas. Além disso, como dissemos, existem inúmeros deuses que foram criados e cultuados pelo povo. Muitas destas entidades cósmicas, porém, apresentam forças, virtudes ou falhas, arquétipos, enfim, semelhantes.

Há especulações que mencionam os atlantes como os criadores da mitologia do Egito (sabendo que a sua grande ilha iria sucumbir, os sábios deste povo, conhecido pelo mistério de seu desaparecimento e de sua possível super-tecnologia, enviaram a outra região entidades especiais, que, por sua vez, maravilhadas com o povo que vivia ao entorno do Nilo, decidiram lá se estabecer e ensinar a agricultura).

Outros, pensam se tratar os deuses do Egito Antigo, dos faraós da era pré-dinástica. Eles teriam governado com justiça, estabelecendo os limites do país e ensinando a civilização e a agricultura ao povo. Dessa crença, advém a ideia de  que é comum e correta a prática dos casamentos entre e os faraós e as rainhas ocorrerem muitas vezes entre irmãos. O  laço consanguíneo próximo, acreditava-se, purificava mais a união nobre e, os deuses também se casam entre irmãos. O casamento, portanto, elevava a condição humana.

Deuses egípcios (para algumas linhas de pesquisa os Neteru*)

Os deuses do princípio criador

Nun (as águas primordiais, a partir das quais todo o mundo foi engendrado; é a divindade ancestral) e Aton (o rei de todos os deuses, aquele que criou o universo. É o mesmo deus que gerou Shu, o ar, e Tefnut, a umidade).


Eneada – os nove principais

Amon – deus sol: o deus-carneiro de Tebas, rei dos deuses e patrono dos faraós. É o senhor dos templos de Luxor e Karnac. Tem por esposa Mut e por filho Khonsu. Seu culto data de 2000 a.C. Sob o nome de Amon-Rá é criador da ordem divina. Ele é o sol que dá vida ao país. Amon tornou-se um título monárquico, mesmo título que Ptah e .

Shu (deus do ar e da luz) e Tefnut (deusa da umidade e da graça): este casal constitui a sístole e a diástole universais e a atmosfera. Shu é a personificação da atmosfera diurna que sustenta o céu. Tem a tarefa de trazer o deus Sol, seu pai, bem como o faraó à vida ao alvorecer. É a essência da condição seca, do gênero masculino, calor, luz e perfeição. É representado como o homem que segura Nut, a deusa do céu, para separá-la de Geb, o deus da Terra (seus filhos). Já Tefnut espera o sol libertar-se do oriente para recebê-lo. A deusa é irmã e mulher de Shu. É o símbolo das dádivas e da generosidade, também conhecida por afastar a fome. Este casal representa o “ritmo do universo”.

Get (a Terra) e Nut (o firmamento): Get é o suporte físico do mundo material, sempre deitado sob corpo da esposa. Ele é o responsável pela fertilidade e pelo sucesso nas colheitas, estimulando o mundo material dos indivíduos e lhes promovendo enterro no solo após a morte. Este deus umedece o corpo humano na terra e o sela para a eternidade. Nas pinturas é sempre representado com um ganso acima de sua fronte. Nut é deusa do céu que acolhe os mortos no seu reino. Com o seu corpo esbelto, ornamentado por estrelas, encarna a curvatura da abóbada celeste que se estende sobre o planeta. É como um carinhoso abraço da deusa do céu sobre Geb, o deus da Terra. Nut e Geb são pais de Osíris, Ísis, Seth, Néftis e Hathor. Osíris e Ísis já se amavam no ventre da mãe e a perversidade de Seth evidenciou-se, logo ao nascer,  rasgando o ventre materno. Note-se, agora, uma disparidade com o mito de criação grego: Gaia (Géia) é a personificação feminina do planeta, mantendo um relacionamento de passividade com Urano, o céu (masculino).

Osíris (o deus do julgamento, dos mortos, pai e senhor de todo o Egito): sua gênese consta nos relatos da criação do mundo, sua geração é a ultima a acontecer e não representa mais os elementos materiais (como o céu, a terra, etc.). Há um mito que narra a ressurreição da vida relacionada com a cheia do Nilo, que mantém relacionamento com este deus. Osíris é morto, destruído e ressuscitado, relembrando, assim, a morte e a vida da vegetação e de todos os seres. Desta maneira, ele é o deus dos mortos e da ressurreição, rei e juiz supremo do mundo dos mortos. Acredita-se que ele tenha sido o primeiro Faraó e que ensinou aos homens  a civilização e a agricultura ao entorno do rio sagrado. Pensa-se ainda que seu mito teria similaridade com a história de Cristo.

Ísis (deusa mãe, protetora do Egito): resultado da união do material e do espiritual, é a mais popular de todas as deusas egípcias, considerada a deusa da família, o modelo de esposa e mãe, invencível e protetora. Usa os poderes da magia para ajudar os necessitados. Ela criou o rio Nilo com as suas lágrimas. Reza a lenda que, após a morte de seu amado esposo, ela transforma-se em um milhafre para chorá-lo, reúne os seus despojos, empenhando em trazê-lo de volta à vida. De sua pura união com ele, concebe um filho, Hórus.  Perfeita esposa e mãe ela é um dos pilares da tessitura sócio-religiosa egípcia. Sua coroa memora um assento com espaldar (trono) que é o hieróglifo correspondente a seu nome nome. É importante dizer que o conceito da “imaculada concepção”  e de beleza exemplar advém de seu mito. Além de haver possível conexão entre o seu mito e o de Deméter (divindade grega).

Néftis (mãe terra e senhora dos mundos infernais): sempre acompanha Ísis no processo post mortem. Mesmo sendo esposa de Seth, ela permanece solidária à Ísis, ajudando-a a reunir os membros espalhados do esposo defunto da irmã, por quem era apaixonada, e também toma a forma de um milhafre para velá-lo. Como Ísis, ela protege os mortos e os sarcófagos. É ainda na acompanha a Mãe do Egito e o sol nascente,  defendendo-o contra a terrível deusa serpente Apófis.

Seth (deus da maldade e da guerra): foi considerado Senhor do Alto Egito durante o domínio dos Hicsos. Embora inicialmente fosse um deus de índole benfazeja, com o passar do tempo tornou-se a personificação do mal e da inveja. Era representado por um homem com a cabeça de Tífon, um animal imaginário formado por partes de diferentes seres, com a cabeça de um bode, orelhas grandes, como um burro. Associavam-no ao deserto aos trovões e às tempestades. A pugna entre Osíris e Seth é  a representação da terra fértil contra a aridez do deserto.  Tinha apreço por alguns crocodilos do Nilo que personificavam os defeitos humanos, assim como os nossos medos. Em suma, Seth é o par antitético de seu irmão Osíris.

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* anjos de deus: as diversas facetas de um mesmo deus, criador de tudo.

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Em um próximo post, falaremos sobre as divindades superiores do Egito.

Até lá…

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Mitologia egípcia – uma introdução

Por: Nathaly Felipe Ferreira Alves

Este é o primeiro post que versará sobre a cultura egípcia da Antiguidade.

Abu Simbel

A civilização egípcia e sua grandiosidade encantaram os antigos, influenciando, ainda que, às vezes indiretamente, a cultura religiosa e científica dos gregos – berço da civilização ocidental – como alguns gostam de apontar. O fascínio exercido pelo Egito e seus mistérios tem, contudo, atraído muito atenção e consideração mesmo hodiernamente.

A história do Egito remonta a 3000 a. C., com o que os historiadores denominam de “as grandes dinastias”, período imperial em que o poder faraônico preponderava. Menes foi o primeiro faraó, importantíssimo ao império. Fundador da cidade de Menfis, Menes delimitou as fronteiras territoriais do país (que na Antiguidade, estendiam-se do Sudão atual até o Mar Mediterrâneo), bem como construiu templos destinados a Hórus, a Ísis e a Osíris.

Existe uma linha de pesquisa que crê em uma gênese mais antiga da civilização do Egito. Tal raciocínio alega que ela existiria desde o desaparecimento dos atlantes, atribuindo ao fenômeno a data de 12.000 atrás.

A soberania dos faraós se extinguiu em 525 a. C., ano em que o Egito foi incorporado ao Império Persa. A partir deste

Pedra de Roseta - encontrada na cidade de Roseta, no Egito, esta pedra contém a chave para a decifração dos hieróglifos (escritos sagrados). No final do século XIX, o francês Champollion, considerado o pai da Egiptologia, decifrou seu conteúdo a partir da comparação do copta com o demótico e grego antigo (idiomas encontrados na inscrição). A Roseta traz a mensagem de sacerdotes que elogiam a honradez e a probidade de uma faraó. Abaixo da mensagem, há uma instrução: a informação da pedra deve ser disseminada pelo mundo. Daí, advém a tradução em grego e demótico, para a sorte do francês Champollion.

 momento, a nação das pirâmides estava fadada a sofrer inúmeras invasões. Em 332 a. C., Alexandre Magno anexou o país à Grécia. O domínio grego durou cerca de 300 anos e foi responsável por uma intensa troca cultural, como se mencionou anteriormente.

Em 30 a. C, Roma e suas belicosas legiões invadiram o Egito, que permaneceu como província romana até 395 d. C. Mesmo ano em que o país passou ao domínio do Império Bizantino. Em 640 da nossa era, ocorreu a invasão árabe que perdurou até 1517 e redefiniu a religião dos egípcios até os dias atuais: a mensagem maometana tem vez e voz. Já em 1517, o Egito é subjugado ao poderio turco.

Mesmo Napoleão, grande admirador da cultura dos faraós, ocupou durante dois anos o país (após vencer os turcos em 1798). Em 1882, a Inglaterra conquistou o território egípcio, criando o “Protetorado Britânico”. Finalmente em 1953, é fundada a República do Egito.

Situado praticamente dentro do deserto do Saara, o Egito possui até hoje um verdadeiro presente dos deuses que permite à população viver a sua volta, assim como permitiu florescer a rica cultura das antigas dinastias: o rio da Vida, o Nilo (que, curiosamente, corre de Norte a Sul e não de Leste a Oeste, como se observa em outros rios).

Manancial infindável da imaginação, o Egito divide com a humanidade sua cultura intensa e reveladora. Em um futuro post, falaremos um pouco mais sobre o Mitologia dos Egípcios e da sua visão de mundo.

Até lá!

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O que é o labirinto?

Uma questão digna de páginas e páginas que remeterão ao passado do Homem, à sua epopéia pelo mundo, geração após geração.

O labirinto, com sua mística, seu mistério, desperta curiosidade por sua tão instigante simbologia – que mesmo incógnita está ali, nos incitando.

Desafio que demanda ininterrupto pôr-se em movimento.

Místico, mítico, mágico, oculto… a imagem do labirinto é sinal presente nas mais diversas realidades culturais do Homem.

Quem não ouviu falar do labirinto de Creta, com a sinistra figura do Minotauro a guardar seus corredores e devorar os jovens que lhe eram dados em sacrifício?

Labirinto do Minotauro: mosaico romano em Conímbriga (região de Coimbra, Portugal)

Ou da história de João e Maria, cuja infrutífera tentativa de demarcar o caminho os leva a vagar sem rumo pela tenebrosa e labiríntica floresta – e os deixa à mercê da sedução e da maldade da bruxa?

João e Maria - Hansel e Gretel, em alemão, como recolhido pelos irmãos Grimm (arte de Arthur Rackham, 1909)

Isso para citar apenas exemplos da tradição ocidental.
No imaginário cristão, o labirinto representa a peregrinação terrena do homem, em sua trajetória de retorno a Deus.

Símbolo da existência humana, com seus obstáculos e dificuldades, suas nuances e incertezas. Estar próximo da meta e não alcançá-la, e contudo não abdicar da busca.

Esforço; desânimo; abandono; reabilitação. TRANSFORMAÇÃO. O objetivo é claro ao viandante do labirinto: a busca pela Vida. Perfaz-se a figura do povo escolhido, que procura a Terra Prometida, a meta, através do tempo e do espaço. É preciso moldar-se, adaptar-se. Evoluir, à medida que se caminha.

Quanto ao caminho exato… não se sabe. Descobre-se.

Essa perspectiva tem profunda relação com um período muito estigmatizado da Humanidade: a Idade Média.

De fato, o Medievo ocupa o imaginário contemporâneo – nos mais variados aspectos, e apesar ‘contaminações’ diversas a uns e a outros… Fascina saber que, há tempos, homens como nós viviam guiados por valores tão diversos dos que temos hoje.

E encanta a percepção de que aquela visão de mundo possuía uma estética própria, por assim dizer. Um ‘estilo artístico’ que encerra em si as marcas desse período e desse modo de vida: o Gótico.

“Gótico”, termo depreciativo usado pelos homens das Luzes para se referir a tudo aquilo que remetia a um suposto tempo de trevas da humanidade: tempo em que o Homem não tinha os olhos só para si, mas os tinha, antes, para os céus.

Eclipse bárbaro da história da Europa, na visão daqueles ‘iluminados’. Mas mal viam eles que, sob o ponto de vista da Fé – fé cristã –, o gótico trazia em si prenúncios da elevação humana, da possibilidade de se alcançar a mesma essência do Criador – efetivamente Sua imagem e semelhança. Apesar dos percalços.

Eis uma das possibilidades quando se analisa a grandeza da arquitetura chamada gótica.

As impressionantes catedrais, concentradas inicialmente na França do século XII, lentamente ganharam a Europa. Registro histórico de grandes mudanças… a riqueza dos pórticos, esculturas e estátuas, a grandeza das abóbadas nervuradas e arcos ogivais, a inundação luminosa dos vitrais e rosáceas, tudo sinaliza a presença da Natureza nos desígnios divinos.

Santos em certa medida ‘humanizados’, diferentemente da arte ortodoxa e românica, que vislumbrava o perfectum, o já transfigurado. Representação do cotidiano nos retábulos, nos adornos: plantas, profissões; rostos, corpos; emoções, pecados. E a Redenção.

O homem comum surgia na temática da arte da Igreja. Aparecia uma nova linguagem, cujas bases estavam na Escolástica de São Tomás de Aquino, na reorganização do mundo europeu com o surgimento e fortalecimento dos burgos, no crescimento do poder dos reis, nas Cruzadas, no declínio do temor do “fim dos tempos” do século X…

E eis que ele ressurge. O LABIRINTO…

Memorial do itinerário humano na terra. Com veredas já estabelecidas, mas cujos caminhos residem nas mãos e consciências dos homens.

Fides et Ratio. Fé e Razão, que caminham juntas, contradizendo-se e completando-se numa relação simbiótica que perdura até nossos dias.

Há muito a se dizer sobre esse tema, enfim…

Antes de concluir, uma nota histórica: uma das mais importantes catedrais góticas é a de Nossa Senhora de Chartres, na pequenina cidade de mesmo nome, próxima a Paris, noroeste da França. Iniciada em 1145 e reiniciada em 1194 (após um incêndio), foi grande centro de peregrinação, e teve renome a ponto de ser palco da sagração do rei Henrique IV, em 1594. Chama a atenção uma catedral tão grande e bela numa vila tão pequena (apesar de religiosamente importante desde antes do século X), e também o fato de boa parte de sua construção final ser atribuída aos peregrinos que a ela acorriam, trabalhando de dia e celebrando sua fé à noite.

Pois bem: o labirinto retratado no início deste post é cópia no que está DENTRO da Catedral de Chartres, no piso da nave central; ele constitui um grande e delicioso mistério, dos muitos que as catedrais góticas reservam até hoje.

Alexandre Oliveira

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A Classificação dos gêneros, inicialmente sugerida por Aristóteles em sua Poética, é muito importante, porque pode-se delinear as linhas limítrofes de um dado gênero, apontando as suas particularidades essenciais. Tal divisão é, contudo, artificial e convencional, já que uma obra de arte de qualquer gênero pode conter traços estilísticos de outro. O gênero literário, bem como a sua classificação, não atribuem valor às obras. A divisão das obras literárias em gêneros funciona como um facilitador para a organização e comparação dos textos.

Grosso modo, temos três tipos de gêneros na literatura:

– Gênero lírico: relaciona-se aos poemas. Suas características principais são a subjetividade (consequentemente, uma intensa carga expressiva), o ritmo (dado pela oralidade), a musicalidade (rima), a constância do “presente eterno”, a linguagem conotativa e a brevidade do texto.

– Gênero épico: relaciona-se a todas as estórias. Neste gênero encontra-se a presença de um narrador, a objetividade (trata-se, portanto, de um mundo narrado à distância, observado pelo narrador), a presença do tempo passado, o texto, geralmente, é longo e a linguagem lógica (descritiva, denotativa). Neste gênero narrador aborda geralmente questões relacionadas ao heroismo e aos feitos históricos de uma nação ou de um homem, o herói.

-Gênero dramático: relaciona-se às peças teatrais. Há a presença de personagens autonômas, seu tempo é linear (com ações sucessivas), há a ocorrência de diálogos constantes (que fazem desnecessárias as colocações de um possível narrador, descartando-o, portanto) e a atualidade das ações no tempo presente.

Por: Nathaly Felipe Ferreira Alves

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Reconhecimento mundial: Considerado um dos artistas mais famosos e versáteis, Picasso  (25/10/1881 – 8/04/1973) foi reconhecidamente um dos grandes Mestres da Arte do século  passado.

Co-fundação do Cubismo: Aliado a Georges Braque, Pablo Picasso criou a estética cubista, à  esteira das correntes  vanguardistas europeias da 1ª metade do século XX. O próprio Cubismo  tornou-se um dos expoentes da Arte Moderna.

Explosão criativa: Criador de milhares de trabalhos, o pintor espanhol demonstrou interesse  em  outros setores das Artes Plásticas, tais como a escultura (com os mais variados materiais) e  o trabalho com a cerâmica.

Períodos

Sua obra pode ser concatenada por meio da classificação em períodos. O primeiro período é chamado Azul, pois consiste em obras taciturnas em que predominam os tons de azul e de verde azulado. A tônica desta fase sombria de Picasso é dada pelas viagens que fazia pela Espanha em sua face marginal (prostitutas e mendigos) e pela morte de seu amigo Carlos Casagemas.  Além desta faceta triste, outro tema recorrente do Período Azul (1901 – 1904) são artistas circenses. Em  especial, a figura do arlequim, que seria tão utilizada pelo pintor, seu símbolo.

La Vie: obscura alegoria da morte do amigo Casagemas.

O Período Rosa (1905 – 1907) se caracteriza por uma temática mais alegre, com predominância de rosa e de laranja. Os arlequins, nesta fase, fazem-se ainda mais presentes.

Picasso começou a se inspirar na África no Período chamado de Africano (1907 – 1909). As ideias desta fases levaram-no, gradativamente, ao que se convencionou chamar de Cubismo.

Les Demoiselles d'Avignon

Cubismos

Cubismo Analítico (1909 – 1912) – predomínio de tons marrons monocromáticos. Analitismo das formas geométricas.

Cubismo Sintético (1912 – 1919) – composições feitas a partir de colagem nas telas.

O “retorno à ordem”

Depois da 1ª Guerra Mundial, Picasso produz obras de teor neoclássico. Esta “volta” às reminiscências da pintura acadêmica se revela uma tendência de vários outros artistas também.

Surrealismo e o Minotauro

Os ares dos anos 30 trazem consigo o ideário surrealista. Picasso, influenciado pela nova estética adquire um novo símbolo: o Minotauro. Advinda da mitologia e dos sonhos, essa também fará parte de uma das obras mais conhecidas do pintor.

Guernica: protesto contra o bombardeamento alemão em Guernica, cidade espanhola.

Sugestão de filme sobre Pablo Picasso:

Os Amores de Picasso

Título original: (Surviving Picasso)

Lançamento: 1996 (EUA)

Direção: James Ivory

Atores: Anthony Hopkins , Natascha McElhone , Julianne Moore , Joss Ackland , Dennis Boutsikaris

Duração: 125 min

Gênero: Drama

Post publicado por: Nathaly Felipe Ferreira Alves

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