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Archive for the ‘literatura’ Category

 Por: Denis J. Xavier

 

Atire a primeira pedra quem nunca ouviu alguém dizer: Sim eu assisti, mas prefiro o livro!. Pois bem, não é de hoje que a sétima arte utiliza textos literários transformando-os em roteiros e criando assim uma discussão eterna sobre o que é melhor: Filme ou Livro?. As adaptações de obras literárias para o cinema começaram tão logo os irmãos Auguste e Louis Lumiére fizeram a primeira projeção da história, e continuarão por muito tempo, pois esta é uma fonte inesgotável de histórias.

E mesmo com todos os prêmios dedicados aos roteiristas, são famosas as críticas de muitos autores à transformação de seus textos em filmes. Hemingway, por exemplo, reclamou de O velho e o mar. Mas há autores que ficam felizes com os trabalhos feitos a partir de suas obras. Um deles foi José Saramago, que teceu elogios à adaptação de Don McKellar, para seu livro Ensaio sobre a cegueira, dirigido pelo brasileiro Fernando Meireles, em 2008.

Para mim esta disputa não se faz necessária, e alguns roteiros adaptados corroboram minha opinião. Um deles é Dom Quixote. Orson Welles fez um filme belíssimo. Nem melhor, nem pior que a leitura do livro de Cervantes; é, sim, uma experiência diferente. Outro caso de ótima adaptação é o do filme Mutum, da cineasta Sandra Kogut, adaptado da obra Campo Geral de Guimarães Rosa. Um dos mais belos filmes brasileiros dos últimos dez anos, que provoca sensações outras em comparação à leitura da obra.

Ao final deste texto há um filme datado de 1903. Uma adaptação de As Aventuras de Alice no país das Maravilhas. Os quase 9 minutos mais parecem um filme de terror tosco de nossos dias. Chega a ser bizarro, mas o intuito é mostrar como a adaptação deste texto foi feita há pouco mais de 100 anos. Antes disso, vejamos a diferença entre um trecho de uma obra literária e seu correspondente em roteiro:

 

Livro e filme: Memórias Póstumas de Brás Cubas.

 

Trecho do livro: “Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou minha morte. Suposto que o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método…”

 

Trecho do roteiro¹:

Dia chuvoso. Brás Cubas dentro de um caixão. Fecham o caixão e começa a sair o féretro com umas 10 pessoas acompanhando, guarda-chuvas abertos. Vemos o rosto de Brás dentro do caixão (câmera dentro do caixão).

FANTASMA FALA

(Off) Algum tempo pensei se a história deveria começar pelo começo ou pelo fim, isto é, se eu contaria antes o meu nascimento ou a minha morte.

O caixão percorre o cemitério e chega a uma cova aberta. VIRGÍLIA em especial destaque durante o percurso.

 

Na comparação destes dois trechos há muitas diferenças. Mas, para você que leu o livro de Machado de Assis, a quantidade de pessoas na cena do enterro não te chama a atenção? E o destaque a Virgília durante o enterro? Enquanto, na obra, Machado pede paciência ao leitor para poder manter em segredo por algum tempo a terceira senhora, no filme ela aparece logo no começo do enredo. Ainda que, no filme, seja revelada pouco depois, sua identidade acaba aparecendo antes do momento em que isso acontece no livro.

Apesar de tudo o que se diga sobre adaptações, quem deixa a paixão pela obra literária de lado normalmente consegue ter prazer com as duas artes. Compreende que são formatos diferentes e que aquilo que cabe nas páginas de seu livro favorito muitas vezes não cabe em 120 minutos de um filme. Por isso, deixe fluir. Boa leitura e bom filme a todos.

 

Fontes:

(¹) Roteiro baseado no livro Memórias Póstumas de Brás Cubas.

Alice no País das Maravilhas (1903).

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Em 2005 a Editora Globo editou o primeiro volume das Obras Reunidas do poeta Roberto Piva.

Piva é o flaneur paulistano do tempo em que a cidade revelava uma geração fértil de poetas, retratados no documentário Uma outra cidade (Ugo Giorgetti, 2000). Estreou na literatura em 1961 com sua “Ode a Fernando Pessoa”, dois anos mais tarde lançou seu primeiro livro: Paranóia. Sua Obra Reunida está dividida em três volumes, cujo segundo – Mala na mão & asas pretas – traz os livros da sua maturidade poética, escritos entre 1973 e 1983, e os manifestos escritos em 1984, sob o título de “O Século XXI me dará razão”. Os livros reunidos neste volume, seguidos dos epítetos (entre parênteses) que lhe deu o amigo e crítico de sua obra Claudio Willer, são:

Piazzas (a fruição e a contemplação)

Abra os olhos & diga Ah! (e o entusiasmo)

Coxas (e a orgia ritual)

20 poemas com brócoli (e as analogias)

Quizumba (e a possessão)

Entre as principais características desta fase intermediária da sua produção estão o sexo e a liberdade, a liberdade trazida pelo sexo (aqui visto como arma e bandeira política), a orgia como ritual, o círculo de amigos como tribo, o “desregramento de todos os sentidos” (Rimbaud), as paroles en liberté, o tesão como “trombeta belicosa”, o amor louco adolescente, e todas as suas influências estéticas, sempre ecléticas e universais.

Chama a atenção a quantidade de menções e citações, influências expressas que mostram as leituras de formação do poeta, que vão de Dante a Pasolini, de Whitman a Garcia Lorca, de Álvares de Azevedo a Murilo Mendes, passando por Jorge de Lima e João Guimarães Rosa, e de Chet Baker à bossa nova no campo musical. Encontramos muito este recurso, o da citação das referências literárias como matéria para a escritura, na prosa contemporânea; mas é na poesia de Piva que esta prática ganha poder. A poesia como invocação, chamando para o terreiro estas vozes ancestrais.

O mais recorrente é vermos sobre o autor a alcunha do “poeta maldito” e o enquadramento da sua poética no rol enxuto de poetas surrealistas brasileiros. Notamos também nos livros reunidos em Mala na mão & asas pretas um poeta diretamente influenciado pela Geração Beat norte-americana, principalmente quanto à mistura da poesia à vida experimental, ao jazz e ao “Sonho & a Paixão”. Na verdade, enquadrar e qualificar Piva é um esforço vão e raso. Suas dimensões de poeta atravessam gêneros e estilos, sua poesia é o resultado de leituras libertárias, jamais dogmáticas.

A edição das Obras Reunidas traz ricos ensaios de analistas da obra do poeta. Figuram nos livros as análises do Prof. Alcir Pécora (organizador da obra e professor da UNICAMP), Claudio Willer (já citado, amigo e companheiro de geração e também poeta), Eliane Robert Moraes (professora de Literatura da FFLCH-USP), além da reunião de todos os manifestos publicados pelo autor e uma vasta bibliografia de seus textos editados, traduzidos e sua fortuna crítica ao final dos livros.

O poeta, hoje com 72 anos de idade, passou por sérios problemas de saúde desde o começo deste ano. Há tempos passa por sérias dificuldades financeiras, dependendo da ajuda de amigos e de eventos que arrecadam fundos para seus tratamentos médicos. Poesia não dá dinheiro e costuma dar menos reconhecimento do que o merecido. Esperamos que, com as reedições de suas obras, as vendas e o reconhecimento aumentem para que esta grande voz da poesia seja mais e mais lida e vivida pelos seus leitores.

A Editora disponibiliza trechos deste livro no Google livros, aqui.

Lucas de Sena Lima

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Onde será que já vimos uma luta sangrenta e desumana pela posse de um anel malfazejo, cujas consequências funestas transtornam todo o mundo, por causa da ambição humana? Tudo isto fez parte da mitologia nórdica! Histórias de elfos, valquírias, sereias, anões... tudo provém dos nórdicos.

Por Nathaly Felipe Ferreira Alves

Própria dos povos pré-cristãos da Escandinávia e da Islândia, esta mitologia disseminou-se de maneira especial também na Alemanha. Os alemães configuram-se como os maiores divulgadores da vasta cultura nórdica, bem como de sua mitologia. Os vikings, por meio de sua voraz expansão marítima, também foram responsáveis pela difusão da cultura e mitologia nórdicas e, não por acaso, as histórias dos povos escandinavos instalaram-se consistentemente no ideário dos povos de língua inglesa, deixando suas peculiaridades em seu léxico, por exemplo. Os nomes dos dias da semanas nos países anglófonos derivam dos nomes dos deuses nórdicos. Peguemos como exemplo Thursday e Friday: o primeiro se refere ao “dia de Thor“; o segundo, é o “dia de Freya“.

O historiador e poeta islândes Snorri Sturluson (1179 – 1241) compilou grande parte do arsenal da mitologia de seu povo em um livro chamado Edda em Prosa. Nele, Sturluson chamava a atenção para as principais lendas que versavam sobre os deuses que a comunidade havia recentemente rechaçado (a obra é codificada cerca de 300 anos após a conversão da Islândia ao cristianismo). Houve também por parte do autor a preocupação em desenvolver um tratato sobre a arte poética, em que explicava o sistema métrico e metafórico dos escaldos (denominação dada aos membros de um grupo de  poetas da corte dos líderes da Escandinávia e Islândia durante a Era Viking que compunham e apresentavam suas interpretações sobre aspectos que, hoje, é conhecido como poesia nórdica antiga). Não obstante algumas destas lendas apresentarem eventos essencialmente trágicos, a maioria delas possuem cunho cômico, em especial aquelas em que os deuses  de Asgard (reino dos deuses) são as protagonistas. Não há como sabermos o quão cômicas eram as narrativas originais, ou até que ponto as lendas foram deformadas pelo prisma cristão de seu compilador (que poderia, em tese, ridicularizar de alguma maneira o “legado” dos deuses pagãos). As histórias cômicas são, contudo, as mais interessantes e representam ricamente a mitologia nórdica. Temas envolvendo jogos de enganação, Odin (Wotan), sua trupe e sua rixa eterna com os gigantes, a astúcia e geralmente a perversão de Loki, o grande mentiroso (em analogia à cultura cristã, representa a serpente, aquele que se rejubila em tramar contra os deuses, sempre às escuras, sempre rasteiro) permeiam estas histórias. Há variavelmente o sucesso de Odin e de seu bando, principalmente nas lendas em que se instala a comicidade e a violência nas possíveis disputas narradas.

Fonte de inspiração

A riquíssima mitologia nórdica é inspiração nítida do fantasioso universo literário do escritor inglês J. R. R. Tolkien. O escritor argentino Luis Borges também “bebeu da fonte” dos nórdicos, dedicando as kenningar ‘metáforas’ que leu da poesia islandesa. Wagner, compositor alemão, também utilizou muitas das essencialidades da estrutura composicional das lendas nórdicas para desenvolver suas composições.

Panteão nórdico e divindades correlatas

  • AdgirSenhor do Mar – Esposa: Ran
  • AesirRaça e Terra dos Deuses Guerreiros – Odin, Thor e Tyr
  • AlcisGêmeos, Deuses do Céu
  • AndhrímnirCozinheiro dos Deuses
  • AurvandilPersonagem menor do Skáldskaparmál

    Thor, filho de Odin (o senhor supremo de Asgard).

     

  • AsgaardCapital de Aesir
  • BalderDeus do Brilho, da Paz, do Renascer – Esposa: Nanna
  • BorrPai de Odin, Vili e Ve – Esposa: Bestla
  • BragiDeus da Poesia – Esposa: Iðunn
  • BúriMais antigo dos Deuses, pai de Borr
  • DagrDeus do Dia – filho de Delling (aurora) e Nótt (noite)
  • DellingDeus do Alvorecer – Pai de Dagr, com Nott
  • EirDeusa da Cura, da Medicina
  • ElliPersonificação da Velhice
  • ForsetiDeus da Justiça, Paz, Verdade – filho de Balder, com Nanna
  • FreyaDeusa da Fertilidade, Bem estar, Amor, Beleza, Mágica, Profecia, Guerra, Batalha, Morte – Marido: Óðr
  • FreyrDeus da Virilidade, Sol e Chuva – Esposa: Gerd
  • FriggDeusa do Casamento e da Maternidade – Marido: Odin
  • FullaAia de Frigg
  • FenrirFilho de Loki com a Gigante Angrboda Destinado a crescer e devorar Odin durante Ragnarök
  • GefjunDeusa da Fertilidade, dos Arados, recebe as Virgens mortas
  • HelaRainha do “Hel ou Niflhiem, o mundo dos Mortos
  • Heimdallr (Rígr) – um dos Æsir e Guardião do Reino de Asgard
  • HermódrFilho de Odin
  • HlínDeusa da Consolação
  • HöderDeus do Inverno, cego, matou Balder
  • HœnirDeus Silencioso, companheiro de Odin e de Loki
  • IðunnDeusa guardiã das Maças douradas da Juventude – Marido: Bragi
  • JörðDeusa da Terra – Mãe de Thot, com Odin
  • JötnarRaça de Gigantes
  • KvasirDeus da Inspiração, da Eloquência sábia
  • LofnDeusa do Amor
  • LokiDeus enganador, do Engodo, Mentira, Discórdia, Fogo – Esposa: Sigyn ou Saeter
  • MániDeusa da Lua
  • MímirTio de Odin; da Sabedoria
  • MagniFilho de Thor e Járnsaxa.
  • MeiliIrmão de Thor
  • MimingTroll das Florestas; Hoder matou Balder com a espada de Miming
  • Móbi ou MagniFilho de Thor
  • NannaUma Ásynja, esposa de Balder, mãe de Foresti
  • NehalleniaDeusa da Abundância
  • NerthusDeusa da Terra, ligada a Njord
  • NjördDeus do Mar, Vento, Peixes, Navios, Saúde
  • NornsAs três Deusas do Destino: Urd (Fado), Skuld (Futuro), Verdandi (Presente)
  • NóttDeusa da Noite, filha de Narvi, mãe de Auð (com Naglfari), Jörð (com Annar) e Dagr (com Delling)

    Thor, o deus mais poderoso de toda a Escandinávia, teve sua imagem utilizada pela Marvel e se tornou um herói das HQ's.

     

  • Odin (Wotan)Senhor de Æsir. Deus da Guerra, sabedoria, Poesia, Estudo – Esposa: Frigg.
  • Óttar – “Deus das Focas”
  • RanDeusa do Mar. dos Agogados – Marido: Adgir
  • SagaDivindade obscura, talvez a mesma
  • SifEsposa de Thor
  • SjöfnDeusa do Amor
  • SkadiDeusa do Inverno – Marido: Njord
  • SkirnirEscudeiro de Frey
  • Skuld(Futuro) uma das Norns, fica em Yggdrasill( a àrvore do Mundo).
  • SnotraDeusa da Prudência
  • Sol (Sunna)Deusa do Sol
  • Thor (Donar)Deus do Trovão, Céu, Batalha, Colheitas – Esposa: Sif
  • Týr (Ziu, Saxnot) – Deus da Guerra, da Justiça
  • UllrDeus das Habilidades, Caça, Duelo, filho de Sif e Thor
  • Urd(Fado) uma das Norns, fica em Yggdrasill (a àrvore do Mundo)
  • ValquíriasMulheres aliadas dos Deuses Guerreiros
  • VáliDeus da Vingança, filho de Odin
  • VanirRaça de Deuses benevolentes e da fertilidade – Njörðr, Freyja, Freyr
  • VarDeus a do Contrato
  • Um dos Deuses da Criação, com Odin e Vili, seus irmãos
  • Verdandi(Presente) uma das Norns, fica em Yggdrasill (a àrvore do Mundo)
  • Vidar Filho de Odin com a Gigante Gríðr, Matador de Lobo Fenvir.
  • ViliUm dos Deuses da Criação, com Odin e Vé, seus irmãos
  • VörDeusa da Sabedoria, da Verdade
  • ThrúdFilha de Thor e Sif

 

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Poesia Reunida

Eis que na cruzada, rumo aOs Sertões, deparo-me com um Euclides poeta. E então eu, que de poesia sempre fui ingênuo –quase que infantil, começo a ver que tudo é poesia, e sem ela o mundo pode até sobreviver… porém com um pouco menos de graça.

Foi no final do ano passado, quando participei da Jornada Literária da PUC, e lá  tomei conhecimento de um livro: Poesia Reunida, de Euclides da Cunha.
O livro foi organizado pelos professores Leopoldo M. Bernucci e Francisco Foot Hardman; o primeiro, professor titular de estudos latino-americanos na Universidade da Califórnia. O segundo –um grande estudioso da obra euclidiana, professor na área de Literatura da Unicamp.
A obra é de uma qualidade que há muito não se via, não apenas pelo cuidado e profundidade da pesquisa, como também pelo zelo com a parte física da obra, rica em fotos e fac-símiles de poemas inéditos, além de uma qualidade gráfica  fora dos padrões nacionais (trabalho da argentina Isabel Carballo). O próprio Francisco Foot declarou, durante a palestra na JL da PUC,  que todos os cuidados foram tomados no intuito de que o livro marcasse o ano de homenagens no centenário de morte do autor.
A poesia foi dividida em 4 partes: Ondas, Dispersos, Poesia Postal (uma delas endereçada a Machado de Assis) e Principais Variantes & Cotejos. Há uma clara opção (ou predileção?) de Euclides pelos sonetos, mas também encontramos versos livres, quadras e tercetos.
O livro é riquíssimo em arquivos, fontes, bibliografia e índices. Enfim, um trabalho meticuloso e feito com o carinho de quem é apaixonado pela pesquisa e pela obra de um determinado autor.
Recomendo a quem gosta de livros, de poesia, de Euclides e quem gosta de pesquisas. Quem ler com carinho e cuidado verá que há uma narrativa que a um só tempo mostra como a pesquisa foi feita e também como deve ser feita uma pesquisa.
 
Abaixo, dois poemas de Euclides da Cunha, que estão em Poesia Reunida.
 
Horas de Crença
 
De noute¹ aos brilhos dos sidéreos lumes –
Quando o mistério –, das soidões² no meio –,
Num beijo vindo da floresta o seio
Peja³, sublime, de estivais perfumes!…
 
Quando, das serras nos altivos cumes
Debruça a Lua –, num calado anseio –,
A fronte loura –, meu amor, eu creio
Nas crenças santas que no olhar resumes…
 
Creio nos beijos do teu lábio rubro…
–Creio dos mortos no viver sem fim! –
As sombras d’alma numa prece encubro!…
 
Creio na febre de teu seio – e alfim4
Por entre cismas o meu Deus descubro…
 
E muitas vezes creio até… em mim!…
 
(1) Noite / (2) Solidões / (3) Enche / (4) essa nem no Dicionário de Francisco Fernandes, de 1942, que tenho para consultas assim, eu encontrei.
 
 
 
Se acaso uma alma se fotografasse
(Poesia enviada em uma foto onde o autor aparece)
 
 
Se acaso uma alma se fotografasse
De modo que nos mesmos negativos
A mesma luz pusesse em traços vivos
O nosso coração e a nossa face;
 
E os nossos ideais, e os mais cativos
De nossos sonhos… Se a emoção que nasce
Em nós, também nas chapas se gravasse
Mesmo em ligeiros traços fugitivos.
 
Poeta! Tu terias com certeza
A mais completa e insólita surpresa
Notando, deste grupo bem no meio
 
Que o mais belo, o mais forte e o mais ardente
Destes sujeitos, é precisamente
O mais triste, o mais pálido e o mais feio…
 
 
 
 
Poesia Reunida, de Euclides da Cunha. Organizado por Leopoldo M. Bernucci e Francisco  Foot Hardman é uma publicação da editora Unesp.
Quem tiver interesse na obra pode encontrá-la no site da editora: http://www.editoraunesp.com.br/
 
 
ISBN: 9788571399716
Assunto: Literatura
Idioma: Português
Formato: 16 x 23cm
Páginas: 492
Edição: 1ª
Ano: 2009
Acabamento: Brochura com orelhas
Peso: 860g

 Denis Silva

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A Classificação dos gêneros, inicialmente sugerida por Aristóteles em sua Poética, é muito importante, porque pode-se delinear as linhas limítrofes de um dado gênero, apontando as suas particularidades essenciais. Tal divisão é, contudo, artificial e convencional, já que uma obra de arte de qualquer gênero pode conter traços estilísticos de outro. O gênero literário, bem como a sua classificação, não atribuem valor às obras. A divisão das obras literárias em gêneros funciona como um facilitador para a organização e comparação dos textos.

Grosso modo, temos três tipos de gêneros na literatura:

– Gênero lírico: relaciona-se aos poemas. Suas características principais são a subjetividade (consequentemente, uma intensa carga expressiva), o ritmo (dado pela oralidade), a musicalidade (rima), a constância do “presente eterno”, a linguagem conotativa e a brevidade do texto.

– Gênero épico: relaciona-se a todas as estórias. Neste gênero encontra-se a presença de um narrador, a objetividade (trata-se, portanto, de um mundo narrado à distância, observado pelo narrador), a presença do tempo passado, o texto, geralmente, é longo e a linguagem lógica (descritiva, denotativa). Neste gênero narrador aborda geralmente questões relacionadas ao heroismo e aos feitos históricos de uma nação ou de um homem, o herói.

-Gênero dramático: relaciona-se às peças teatrais. Há a presença de personagens autonômas, seu tempo é linear (com ações sucessivas), há a ocorrência de diálogos constantes (que fazem desnecessárias as colocações de um possível narrador, descartando-o, portanto) e a atualidade das ações no tempo presente.

Por: Nathaly Felipe Ferreira Alves

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Quem já visitou o Museu da Língua Portuguesa – ou acompanha nosso blog (https://movimentoculturalgaia.wordpress.com/2009/08/21/o-rol-de-bosi-voce-ja-leu/), conhece  uma lista feita pelo professor Alfredo Bosi com os 120 livros célebres e  obrigatórios da Literatura Brasileira.

 Não é intenção minha criticar a lista, muito pelo contrário, ela, como disse a Carolina Cecatto em seu post, engloba toda literatura brasileira e nos traz belas surpresas simbolistas, quebrando, de certo modo, alguns estigmas que este movimento carregou e carrega, pela falta de conhecimento de professores de literatura mal formados e mal informados. A minha intenção é chamar a atenção para o veio depois de José Paulo Paes  e seu  Um por todos, de 1986. Afinal lá se vão vinte e quatro anos, uma geração inteira passou, e outra já começou o contato com os livros.

 Nossa literatura, claro, não parou em 1986, tampouco a poesia morreu em João Cabral de Melo Neto, como alguns querem que acreditemos. E se livros como O caçador de pipas, A Cabana e O Código da Vinci tornam-se  febres entre os brasileiros e permanecem por meses nas listas dos mais vendidos a culpa é dos professores de literatura do ensino fundamental, que teimam em enfiar goela abaixo, autores que os alunos não estão preparados para ler. O resultado todos nós sabemos: “Ler é chato” , dizem 9 em cada 10 alunos.

 No último semestre de 2009, ao frequentar uma escola pública, para cumprir horas de  estágio,  tive uma grata surpresa quando assisti a uma aula de literatura do ensino médio. A professora, de maneira inteligente, aproveitou a onda da saga Crepúsculo para apresentar aos alunos Edgar Alan Poe, e depois com muito tato falou de um “tal”  Dalton Trevisan. Bom…quem conhece um pouquinho dos exemplos acima, deve estar se perguntando: O que tem o cú com as calças?  Resposta: Nada! Mas…se este foi o jeito que ela achou para fazer os alunos pararem 20 minutos para ler um conto do Trevisan quem sou eu para criticar.

  O que realmente é fato, é que o livro concorre, nos dias de hoje, com meios tão imediatos de entretenimento que possui o mesmo caminho que a cultura traçou depois da revolução francesa: a divisão em arte ou entretenimento. Isto é, produtos feitos para o grande público e com qualidade questionável são colocados anualmente aos montes e conseguem se manter através da sua própria venda; como é o caso da maioria dos filmes de Hollywood, isto chamamos entretenimento. Por outro lado, produtos com conteúdo que questionam os padrões estéticos vigentes ou que não alcançam um público vasto –devido a vários fatores que não caberiam neste espaço,  precisam daquilo que antigamente era conhecido como mecenas; hoje como Petrobrás, Eletrobrás, BNDS, enfim…

 Em resumo, se nada for feito, bons autores, ficarão sujeitos aos Mecenas, enquanto as livrarias terão best-sellers abarrotando a estante dos 10 mais vendidos da semana. Espaço que já sabemos é comprado como se fosse uma gôndola de supermercado. O que não estou dizendo que seja ruim, na verdade existe uma industria editorial que não sobreviveria um ano apenas com bons livros. Exceto se conseguir um bom contrato com o governo na venda de livros didáticos, ma essa é outra história para uma próxima vez.

 Decidi colocar abaixo, uma lista  com 10% da quantidade de livros que contém no rol do Professor Bosi, mas que é um bom começo, ao meu ver, para quem quer incutir nos alunos a nova (ou nem tanto, afinal tem gente com mais de 80 anos) literatura brasileira.

A ordem é aleatória.

  1. Comédias para se ler na escola – Luiz Fernando Veríssimo
  2. Dois Irmãos – Milton Hatoum
  3. Budapeste – Chico Buarque
  4. Não Verás País Nenhum- Ignácio de Loyola Brandão
  5. O Fazedor de Amanhecer – Manoel de Barros
  6. Manual Prático do Ódio – Ferréz
  7. O Cheiro do Ralo – Lourenço Mutarelli
  8. A Polaquinha – Dalton Trevisan
  9. A Casa dos Budas Ditosos –  João Ubaldo Ribeiro
  10. Agosto – Rubem Fonseca
  11. As horas Nuas – Lygia Fagundes Telles
  12. O Matador – Patrícia Melo

 Convido-os a fazer com que esta lista chegue aos 120 livros. Antes uma pergunta:

Denis Silva

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