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Archive for the ‘Uncategorized’ Category

A arte antes do século XX era uma coisa. No começo do século XX a arte se transformou em outra coisa. Junto às vanguardas estéticas europeias, surgiu toda uma nova maneira de encarar a arte. Aquela arte como “imitação da natureza” (mímese), vista na pintura figurativa, na escultura, e até mesmo na literatura naturalista caía por conta de novas formas como a fotografia e o cinema. A arte começou a se debruçar sobre si mesma, começou a tratar da própria arte, numa postura de metalinguagem. O ato criativo tomou a frente nos interesses dos artistas, e a ideia ganhou destaque frente à plasticidade. Desta forma, a arte residia na concepção do artista, na própria ideia de compor, não no objeto, nem nas impressões que este causava. Uma posição de contestação à própria ideia que se tinha sobre o que era arte.

O contexto era o das guerras mundiais. Haveria possibilidade de arte ante a banalização da condição humana e os horrores da guerra, meu Deus?
Dizem que o grande expoente desta escola é o Marcel Duchamp, quando resolveu pôr um vaso sanitário como atração de museu. Chamou-se aquilo de ready-made, ou seja, um objeto já existente, que perdeu sua função original e ganhou status de arte. O mesmo vale para a roda de bicicleta. A arte, aí, não reside no vaso ou na roda em si, mas na concepção do artista em tirar o vaso do banheiro e colocá-lo no museu, para admiração boquiaberta de todos.

A "Monalisa" de Duchamp

Em 1919, Duchamp expôs uma reprodução da Gioconda de Da Vinci desenhando bigodes nela, e batizou a obra de LHOOQ (que significa Elle a chaud au cul, algo como "Ela tem fogo no rabo", em português). Dessacralização da Arte.

Sim, a Arte Conceitual tem a ver com o Dadaísmo.

E mais: daí deu-se a surgir outras manifestações que preconizavam a ideia anterior ao objeto. Você sabe o que é um happening?

Happening é uma manifestação artística pentencente às Artes cênicas. Happening é um “acontecimento”. Imagina, você tá na fila do dentista, de repente entram três atores vestidos de Pierrô, Arlequim e Colombina contracenando Macbeth. Pode ser pior: eles podem pedir a participação interativa da plateia. Ou então: Você está no trem, mais exatamente no Brás, às 6 da tarde, quando entra no seu vagão um mendigo com cheiro de pinga ensaiando o solilóquio de Hamlet (ou recitando Drummond). Nestes casos, amigo, Shakespeare seria o de menos…

As instalações são outra forma de Arte Conceitual. São essas que mexem com a cabeça do cidadão desavisado que vai ao museu. Já vi desde uma reprodução de um corpo em putrefação pendurado numa sala de museu até um terço de oração em formato fálico. Predomina a idéia, repito, não o objeto. Há um quadro (tentei encontrar pra postar aqui) de uma pintora brasileira que reproduziu uma mulher atormentada na pintura. Mas a tela estava rasgada ao meio. Foi por meio da materialidade do suporte (tela) que a artista representou a ideia do rasgo interno da personagem que criou. Loucura, né? Não é exatamente Arte Conceitual, mas ela se valeu do conceitualismo para causar uma sensação.

Retrato de Iris Clert, de Rauschenberg. O artista escreveu um telegrama dizendo: "Este é um retrato de Iris Clert, se eu disser que é".

Retrato de Iris Clert, de Rauschenberg. O artista escreveu um telegrama dizendo: "Este é um retrato de Iris Clert, se eu disser que é".

Eu lembro de uma música dos Ramones onde Joey cantava: “Second verse, same as the first!”.

E a Arte Conceitual na literatura? Tem quem fale no cerebrismo de James Joyce, mas acho que todos aqueles autores que escreviam sobre o próprio ato de escrever já criavam terreno pro conceitualismo na literatura. Sim, o Machado de Assis é um exemplo. Memórias Póstumas, pra mim, é um livro moderno. Mas ainda não era Arte Conceitual. O exemplo que me vem agora é o de um trecho do André Sant’Anna, contemporâneo, cujo personagem, no meio do conto, diz algo mais ou menos assim: “Eu não sou um policial. Sou uma personagem em terceira pessoa criada pelo escritor…” etc. Eu acho fantástico. Algumas crônicas do Verissimo trazem bem latente esse estilo de expressão, certamente herança de Borges, a quem lia muito e muito. Há uma crônica do Leon Eliachar (não encontrei) que fala sobre como se cria uma crônica, e do que a crônica não deve falar. Há quem escreva em muros, na pele, etc. Uma atitude espelhada e caleidoscópica de arte.

Ainda no reino impenetrável das palavras, após a Arte Conceitual começamos a contar com as palavras nas telas dos artistas, participando ativamente da significação dos quadros. Vide Magritte.

Espelho Mágico, de René Magritte, 1929. A figura traz um espeho, onde se lê: "Corpo humano".

Espelho Mágico, de René Magritte, 1929. A figura traz um espeho, onde se lê: "Corpo humano".

Alguns poemas do Drummond falam sobre o ato artístico, e podemos dizer que esse cara foi o vanguardista da metalinguagem na poesia brasileira.

Que mais? Acho que só. Há um livro-base pra quem quer saber um pouco mais sobre Arte Conceitual, está disponibilizado gratuitamente no Google Books, em clicando-se aqui.

Perdoem-me se falei alguma besteira, não sou especialista no assunto, apenas um curioso. Mas a ideia foi boa, vai dizer que não?!

Instalação de Joseph Kosuth, chamada One and Three Chairs, 1965. O artista expõe uma fotografia de uma cadeira, uma definição de dicionário e a própria cadeira. Peraí, o que é mesmo "realidade"?

Instalação de Joseph Kosuth, chamada One and Three Chairs, 1965. O artista expõe uma fotografia de uma cadeira, uma definição de dicionário e a própria cadeira. Peraí, o que é mesmo "realidade"?

Eu mesmo já fiz muitas obras conceituais, mas elas ainda não saíram do campo da ideia.


(da mesma forma que a palavra peixe não é um peixe, nem tem cheiro de [sic])

Lucas de Sena Lima, o bonzão.

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Às vezes, ainda me pego cantarolando –lárái lárái lárái / lárái, lárím, lárám , a mais bela canção do cinema de todos os tempos, feita para o maior filme de todos os tempos! A cena de Sam, interpretado por Dooley Wilson,  tocando e, sob pressão de Ilsa, interpretada pela atriz Ingrid Bergman, cantando  As time goes by é uma das mais conhecidas do cinema e faz parte do filme Casablanca de 1942.

         Casablanca, cidade situada na Marrocos francesa, é usada como rota para aqueles que fugiam do nazismo rumo á América. Lá também há o Rick´s Bar de Rick Blaine, e quem dá vida a este personagem é o ator Humphrey Bogart.

E é no Rick´s que a cena acima acontece. Ao final da cena, quando Rick vai até Sam dizendo que já o havia proibido de tocar aquela música, ele se depara com Ilsa. Os dois se apaixonaram em Paris algum tempo antes, mas debaixo do bombardeio nazista sob a capital francesa acabaram se desencontrando, muito embora, mais por causa de um bilhete que das bombas.

         Assisti a Casablanca, pela primeira vez, há cerca de uns 8 anos, de lá para cá, já repeti este feito, pelo menos umas cinco vezes, a última há pouco mais de um ano e cada vez que vejo é como se fosse a primeira. Os diálogos são primorosos, a interpretação de ambos é de tirar o fôlego, e se não bastasse isso, as cenas do cinismo de Rick valem boas risadas.

A história de amor de Rick e Ilsa  leva o filme um desfecho que os “românticos” de hoje não entenderiam. Não posso ir a fundo, para não estragar o deleite dos poucos corajosos que, depois deste post, se aventurarão a assistir um filme que tem mais de 65 anos, mas que é o mais belo produto da sétima arte já produzido até hoje.

Àqueles que se aventurarem peço duas coisas: primeiro prestem atenção às frases –há muitas frases de efeito neste filme; segundo coloquem seus comentários no blog e se puderem (e quiserem) respondam: Alguém nos dias de hoje seria capaz de ter a mesma atitude de Rick?

         Segue a letra de As time goes by  composição de Herman Hupfeld e o vídeo para verem esta cena maravilhosa.

 

 

As Time goes by

You must remember this

A kiss is still a kiss

A sign is just a sign

The fundamental things aplly

As time goes by

 

And when two lovers woo

They still say I love you

On that you can rely

No matter what the future brings

As time goes by

 

Moonlight and love songs never out of date

Hearts full of passion, jealousy and hate

Woman needs man

And man must have his mate

That no one can deny

 

It is still the same old story

The fight for love and glory

A case of do or die

The world will always welcome lovers

As time goes by

Ficha Técnica

Título Original: Casablanca

Gênero: Drama

Tempo de Duração: 103 minutos

Ano de Lançamento (EUA): 1942

Estúdio: Warner Bros.

Distribuição: Warner Bros. / Metro-Goldwyn-Mayer

Direção: Michael Curtiz

Roteiro: Julius J. Epstein, Philip G. Epstein e Howard Koch, baseado em peça de Murray Burnett e Joan Alison

Produção: Hal B. Wallis

Música: M.K. Jerome, Jack Scholl e Max Steiner

Direção de Fotografia: Arthur Edeson

Direção de Arte: Carl Jules Weyl

Figurino: Orry-Kelly

Edição: Owen Marks 

 (Denis Silva)

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Conheço pessoas que tem uma verdadeira ojeriza de frases feitas, aquelas ditas pela avó da avó da avó da gente. Mas também conheço pessoas que, pra toda a ocasião – e muito pra preencher um vácuo no diálogo -, usam esses velhos ditados. Às vezes tenho a impressão de que o uso feito por estas pessoas chega a ser involuntário, um produto fossilizado após longos anos vividos pela humanidade.

E lembrando disso, resolvi puxar no rol de composições de meu querido Chico Buarque uma letra que fala desses ditados populares. A letra distorce os ditos. Acompanhe:

Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa
Espere sentado
Ou você se cansa
Está provado, quem espera nunca alcança

Venha, meu amigo
Deixe esse regaço
Brinque com meu fogo
Venha se queimar
Faça como eu digo
Faça como eu faço
Aja duas vezes antes de pensar

Corro atrás do tempo
Vim de não sei onde
Devagar é que não se vai longe
Eu semeio o vento
Na minha cidade
Vou pra rua e bebo a tempestade

Ao nos depararmos com essa letra, percebemos que Chico utiliza diversos ditados e recria uma realidade:

Na primeira estrofe, contraria o chavão “se conselho fosse bom, dava-se de graça”. O eu-lírico quer passar ao interlocutor, sem preconceitos, um bom conselho de graça! Na sequência da estrofe, a ironia nos  conhecidos ditados “dorme que a dor passa” e “quem espera, sempre alcança”. Sabemos bem que este último ditado não se aplica muito bem aos ditames do mundo moderno, a não ser que você nasça em um berço de ouro.

Na segunda estrofe, o Eu da letra dá vazão à impulsividade, pedindo ao amigo, ao qual dá conselhos, que queime no fogo (“quem brinca com fogo se queima”) e faça como ele diz e como ele faz.

Toda a letra que vimos acima é um chamado para não nos atermos ao senso-comum(*) já perpetuado pela oralidade da cultura popular – em nenhum momento há qualquer desprestígio acerca dessa cultura, diga-se de passagem. O chamado contido na letra consiste em adquirirmos o bom senso(*¹) perante o que se ouve ou se diz. O bom conselho do eu-lírico é que você deve priorizar o discernimento  através de sua razão e emoção, em vez de seguir cegamente os conselhos pré-fabricados. Assim, ele também nos diz que “corramos atrás do tempo” e nos indica que “devagar é que não se vai ao longe” – os tempos modernos, novamente, podem muito bem responder isso.

Pra arre(ma)batar com seus conselhos, na última estrofe, o Eu passa-nos a ideia de domínio da situação: “semeia vento e bebe a tempestade”, pra garantir que rompe de vez com os chavões; torna este ditado e sua respectiva metáfora algo mais ousado que o original. Em vez de usar o verbo “colher” em “colhe tempestade”, utiliza o verbo “beber”, sugerindo  audácia e confronto, como se engolisse corajosamente à seco os velhos ditados e regurgitasse algo novo e improvável para o seu interlocutor.

Essa foi, prioritariamente, uma leitura de caráter semântico sobre a letra de Bom conselho. Poderia falar sobre outros aspectos, mas este chamou-me mais atenção. E você, leitor: usa muito, pouco ou sensatamente os velhos ditados que conhece? Tem algum que faz parte do seu dia-a-dia?

_____________________________________________________________________________________

(*) senso-comum: “(…) a primeira compreensão do mundo resultante da herança fecunda de um grupo social e das experiências atuais que continuam sendo efetuadas (…) Condiciona a aceitação mecânica e passiva de valores não-questionados e se impõe sem críticas ao grupo social.”

(*¹) bom-senso: “(…) a elaboração refletida e coerente do saber a partir da explicitação das intenções conscientes dos indivíduos livres, que são, portanto, ativos, capazes de crítica e donos de si mesmos. Recebida a herança cultural pelo senso-comum, reelaboram sua concepção conforme a realidade concreta que precisam interpretar e transformar.”

Vocabulário extraído de: ARANHA, Maria Lúcia de Arruda e MARTINS, Maria Helena Pires. Temas de Filosofia. 2ª ed. rev. São Paulo: Moderna, 1998.

CAROLINA CECATTO

 

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Claro que sabemos diferenciar o romance do conto, ou o conto do romance. Difícil é só explicar. Quando pensamos que sabemos, vem alguém e rebate a idéia de forma que as dúvidas reaparecem. E agora Zé?

Exímio contista, que, segundo a Veja, é o único escritor do Brasil.

Exímio contista, que, segundo a Veja, é o único escritor do Brasil.

Fácil seria dizer que o Romance é maior que o Conto, ou que o Conto é menor. Uma definição nada científica, mas pode ser que funcione. Até que alguém diga: já vi um conto de 80 páginas e um romance de 49. Não que realmente exista, mas é bem provável que alguém diga, só pra te contrariar. E eu lá vou duvidar das hipóteses?

Manuais de Teoria Literária, Massaud’s Moisés, Aulas na faculdade, todas as definições mais vagas e cautelosas não satisfazem o desejo humano (principalmente o do estudante) de categorizar o conhecimento, sistematizá-lo em tópicos, trazer o fenômeno mais vago ao alcance dos olhos, com medo de perdê-lo de vista. Contra isto, Mário de Andrade sentenciava: “Conto é tudo aquilo que o autor quer chamar de conto”. O poeta torna subjetivo aquilo que o cientista quer que seja objetivo.

Em ilustração de Doré, a matriz do romance como o conhecemos.

Dom Quixote - Em ilustração de Doré, a matriz do romance como o conhecemos.

Na mesma mão da poesia, foi um grande contista, um dos maiores que o universo românico já teve, o argentino Julio Cortázar, que disse: “No combate entre um texto apaixonante e seu leitor, o romance ganha sempre por pontos, enquanto o conto deve ganhar por nocaute”. Quem nunca foi nocauteado por um bom conto?

Ou então pergunte à vó, e ela provavelmente dirá: “Conto é uma história que o povo conta, e romance é uma história de amor”. E você vai duvidar?

A evolução destes dois gêneros pode ajudar a compreender a  significação deles e o que eles representam culturalmente, olha só: o Romance surgiu da necessidade de alimentar um público leitor, ávido por histórias relativamente extensas, que distraíssem e educassem moralmente. Evoluiu dos Romances de Cavalaria, as histórias dos heróis medievais. O Romance é um produto da burguesia européia ascendente, que, como toda época, fabrica suas novas formas e fôrmas. Já o Conto vem da tradição popular, da transmissão oral, mas se popularizou mesmo na falta de tempo do homem moderno em ler textos mais extensos.

Capa da edição de Contos da Cantuária, obra inauguradora do gênero conto.

Capa da edição de Contos da Cantuária, obra inauguradora do gênero conto.

No Romance, há vários “nós”, imbricamentos, clímax, situações de tensão narrativa; enquanto no Conto uma só situação de tensão é o bastante. Edgar Allan Poe dizia que o Conto era pra ser lido de uma só vez, num espaço de tempo que iria de 30 minutos a uma ou duas horas. Existem várias outras definições abdutivas, entre elas a que estabelece 7500 palavras até 15000 palavras para este ou aquele. Mas o leitor perspicaz sabe que qualquer definição que trate o gênero pela quantidade de palavras ou páginas é insuficiente.

Massaud Moisés, grande teórico que não vemos a hora de largá-lo após a graduação.

Massaud Moisés, grande teórico que não vemos a hora de largá-lo após a graduação.

Pensar a respeito do que é o Conto e do que é Romance é fundamental para quem estuda Literatura, talvez não o seja para o simples leitor. Ou será que é? Eu acho que saber das origens da coisa e ler textos de diferentes épocas pode ajudar o estudioso, ou mesmo o leitor comum, a entender o que mais tarde se faria em Literatura: o hibridismo dos gêneros, a mistura toda, o apagamento das fronteiras. Muitos foram os autores que fizeram do seu estilo a mistura das formas de se escrever, dando existência à novas formas de se fazer literatura, como a novela, a noveleta, a prosa poética, o miniconto, o microconto,  crônica…

Pra o seu íntimo leitor, o que diferencia o conto do romance? hein?

Lucas de Sena Lima

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Federico Garcia Lorca nasceu na região de Granada, na Espanha, em 05 de junho de 1898, e faleceu nos arredores de Granada no dia 19 de agosto de 1936, assassinado pelos “Nacionalistas”. Nessa ocasião o general Franco dava início à guerra civil espanhola. Apesar de nunca ter sido comunista – apenas um socialista convicto que havia tomado posição a favor da República – Lorca, então com 38 anos, foi preso por um deputado direitista que justificou sua prisão sob a alegação de que ele era “mais perigoso com a caneta do que outros com o revólver.” Sua execução, com um tiro na nuca, teve repercussão mundial. 

 

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No Brasil,  a obra de Federico García Lorca ainda é pouco estudada. Recomendo um livro da editora Martins Fontes (2001) com a tradução de William Agel de Mello, Antologia Poética Federico García Lorca, para um primeiro contato com a poesia de Lorca.

No teatro, recomendo Yerma; Bodas de sangue; A casa de Bernarda Alba; e D. Rosita, a solteira.

 

Poesia
Livro de Poemas – 1921
Ode a Salvador Dalí – 1926.
Canciones (1921-24) – 1927.
Romancero gitano (1924-27) – 1928.
Poema del cante jondo (1921-22) – 1931.
Ode a Walt Whitman – 1933.
Canto a Ignacio Sánchez Mejías – 1935.
Seis poemas galegos – 1935.
Primeiras canções (1922) – 1936.
Poeta em Nueva York (1929-30) – 1940.
Divã do Tamarit – 1940.
Sonetos del Amor Oscuro – 1936
 

Prosa
Impressões e Paisagens – 1918
Desenhos (publicados em Madri) – 1949
Cartas aos Amigos – 1950

Teatro
Assim que passarem cinco anos – Lenda do tempo – 1931.
Retábulo de Don Cristóvão e D.Rosita – 1931.
Amores de Dom Perlimplim e Belisa em seu jardim” – 1926.
Mariana Piñeda – 1925.
Dona Rosinha, a solteira – 1927.
Bodas de Sangue (Trilogia) – 1933.
Yerma (Trilogia) – 1934.
A Casa de Bernarda Alba (Trilogia) – 1936.
Quimera – 1930.
El Publico – 1933.
O sortilégio da mariposa – 1918.
A sapateira prodigiosa – 1930.
Pequeno retábulo de Dom Cristóvão – 1931.

 

Paula Cristina

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Si V. fôsse a hum Café Lisboeta, por volta de 1910 ou 20, pode ser que viria a encontrar personalidades illustres da cultura & inteligência portuguezas. O Movimento Modernista, cazo queiramos datá-lo em especificidade, inicia-se à ocasião de A Águia, revista em torno da qual translladavan Teixeira de Pascoaes & outros, como astros, a ter como Sol os Cafés Lisboetas.

Hum Café Lisboeta, em Lisboa

Hum Café Lisboeta, em Lisboa

A 1915 ven à lumme a Revista Orpheu, embebida de futurismo & impulso intelectual joven. Produto d’este sangue novo lusitano, a Revista Orpheu não muito durou, nem precisou, como toda boa Revista. Mas trouxe à bailla gentes como Fernando Pessoa (e com este mais no mínimo trez grandes poetas), Mário de Sá-Carneiro (poeta tão-somente poeta), Rui Coelho, Santa Rita Pintor, José de Almada Negreiros (poeta lato sensu) & outros mais, que o tempo corroeu e nos fez perder.

Cartaz de evento Futurista. Detalhe para as calças de Almada Negreiros.

Cartaz de evento Futurista. Detalhe para as calças de Almada Negreiros.

O Mundo mudava. Portugal vivia novos tempos, que não os de oiro, os de outrora. As Vanguardas revelavam faces nunca d’antes exploradas nas Artes, e os rummores da estética moderna tomavam parte das conversas nas mesas dos Cafés Lisboetas, onde se podia encontrar hum Mário, hum Fernando ou hum José a maldizer o Dantas.

Lucas de Sena Lima

(Anexo segue manifesto anti-Dantas, escrito por Almada Negreiros, aos curiosos segue link para ouvir o manifesto: beemp3.com/download.php?…Manifesto+AntiDantas ) Manifesto Anti-Dantas

Photo do Dantas, figura detestável.

Photo do Dantas, figura detestável.

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“A Vida”
“Rude, do coração da noite, a vida começa a palpitar” ( Manuel da Fonseca)

Pois sim. É nessa mesma miséria que nasce a vida, aquela dura e sofrida. De tantos Joãos e Marias, aquela também do finado Zacarias e também a de Severino. Quem nunca ouviu falar em Severino? Aquele mesmo de João Cabral de Melo Neto, e eis que encontro sua face, face-a-face, com a de Fabiano, o Fabiano do Ramos… Encontrei por umas andanças dessas (aquelas que nos tira a sola do pé e nos faz sangrar até o último suspiro) o Palmas. Fruto do valente confronto de Manuel da Fonseca, de quem roubei uma frase e botei esta mesma como epígrafe dessas linhas tortas e sem nexo algum, pois que a vida é assim mesmo: não tem vírgula. É num campo moribundo, sem trigo sem céu sem cor, um desses mesmo, que encontrei o Palmas e sua dura vida dura, feito pedra no chão que se agarra às raízes mais profundas do seio da Terra. Uma raça que resiste, que terá ainda o direito ao grito, diria minha bela professora da vida, a Lispector. Grandes palavras, mas pouco feitos. E por que não convidar para essa insólita passagem os meninos do trapiche? Eita Jorge Amado, não muito amado, agora bem mais sexualizado, mas valente. A miséria transforma o homem. A miséria de uns é a riqueza de outros. Justiça? Não creio nessa hipócrita palavra, não na nossa, a dos homens, a de Deus tem valia, mas no coração dos honestos. Me lembrei também do bicho-homem do Bandeira. E pergunto pra quê o susto? João Melo (este angolano) também diz que lá por Luanda e seus arredores tem muitas cestas de lixo e ratos e sujeira e homens. Filhos da dor e da fome. Valentia de quem escreve a vida tal como ela é e não com flores e doces. É um gemido aterrorizante que fica zumbindo no ouvido da gente, é uma dor sem tamanha: é a vida seca, que tem cactos e ossos, magro boi morto e um seara de vento. É a vida meu Deus! Nesse mundo de meu Deus, quem come é rico, quem trabalha é rei. Mas quem vive, quem vive mesmo esta teimosa vida é quem pode dizer: é no lodo que mora o lírio, é da lama do mangue que brota a vida, é da seca que nasce o homem. “Rude, do coração da noite, a vida começa a palpitar”

Leituras:

Morte e Vida Severina. João Cabral de Melo Neto

Seara de Vento. Manuel da Fonseca

Vidas Secas. Graciliano Ramos

A Hora da Estrela. Clarice Lispector

” O bicho” – poema de Manuel Bandeira

Capitães da Areia. Jorge Amado

Filhos da Pátria. João Melo

PAULA CRISTINA

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