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Posts Tagged ‘Arte’

Por: Nathaly Alves

 

Mímese: imitação das aparências, das essências, das ações, ou dos estados de alma?

Particularmente significativo para o entendimento do fenômeno artístico, principalmente do literário, o conceito de mimesis tem sido objeto de análise de muitos estudiosos desde os filósofos da Grécia Antiga.

Mímese, grosso modo, significa “imitação” e, nesse sentido, pode possuir diversas interpretações.

Para Platão, a arte, sob o prisma mimético, dizia respeito às opiniões e às aparências representadoras do mundo dito real. Segundo esta concepção, portanto, a mímese representa a imitação das aparências (da realidade).

Segundo a doutrina platônica, porém, faz-se válida a lembrança de que a realidade em si é meramente uma imagem, praticamente um vulto, por assim dizer, do plano das ideias eternas. Pensando desta forma, a arte se configuraria como uma espécie de espectro da realidade, um simulacro que não mostraria reconhecimento verdadeiro em um plano de realidade.

Por outro lado, Aristóteles relaciona o conceito de mímese à imitação das essências do mundo. Desta maneira, o imitar não estaria sujeito à mera duplicação de uma imagem referente, por exemplo. A configuração mimética, de acordo com o ensinamento aristotélico, implicaria em um profundo conhecimento da natureza humana. Atrelada ao conceito de mímese de Aristóteles, o objeto da arte se tornaria real na medida em que se dirigisse purificação que liberta os seres: a catarse.

Outros estudos gregos da Antiguidade, como os de Pitágoras, versam que o fenômeno mimético não é senão a “expressão dos estados de alma”, que implicariam até mesmo em uma possível terapia para autor e leitores da arte, à medida que os sentimentos seriam tratados quando expostos.

De qualquer forma, a mímese entendida como espelho passou por séculos até o conceito aristotélico foi verdadeiramente decodificado em seu real significado por Kant, Hegel (filósofos) e Hölderlin (escritor). A partir das considerações destes estudiosos, a mímese passou a ser encarada como manifestação da plenitude da realidade.

Pensando propriamente em literatura, percebe-se que a linguagem – convencional e arbitrária – configura uma realidade mais essencial que virtual. A realidade é transmutada em simbologia de essências universais, pois imitar não é copiar. A arte complementa a natureza sem, necessariamente, confundir-se com ela.

Mímese, em síntese, pode ser considerada atualmente como imitação, tal como os gregos proferiram. Mas, reprodução de sua capacidade de gerar, de criar. Além disso, antes da imitação da força natural, da realidade, da materialidade, da substancialidade, enfim… Pode-se entender que, hoje, a arte, por meio da mímese, recria a realidade, absorvendo sua essência revigorando-a. Criando seu próprio universo.

 

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Por: Nathaly Felipe Ferreira Alves


A civilização egípcia  que se manteve ativa por mais de três mil anos. Foi responsável pela criação de um império religioso-científico eminente. Criadores de alguns princípios da matemática, da astronomia, da medicina e da agrimensura, os egípcios também foram desenvolvedores de um código linguístico incrivelmente complexo e  rico, os hieróglifos, a que demos uma rápida atenção no último post.

Permeada em uma atmosfera de fascínio e de mistério, e amparada sobre intensa efervescência cultural, principalmente promovida pelas lendas, floresceu a mitologia egípcia.

A mitologia dos egípcios agasalha as mais diversas divindades, as quais comumente podemos relacionar, em grau de similaridade, com outros panteões. O grego, por exemplo, apresenta variadas expressões mitológicas semelhantes às do Egito.  Preferimos, contudo, relembrar apenas as deidades consideradas “principais”, as mais significativas. Além disso, como dissemos, existem inúmeros deuses que foram criados e cultuados pelo povo. Muitas destas entidades cósmicas, porém, apresentam forças, virtudes ou falhas, arquétipos, enfim, semelhantes.

Há especulações que mencionam os atlantes como os criadores da mitologia do Egito (sabendo que a sua grande ilha iria sucumbir, os sábios deste povo, conhecido pelo mistério de seu desaparecimento e de sua possível super-tecnologia, enviaram a outra região entidades especiais, que, por sua vez, maravilhadas com o povo que vivia ao entorno do Nilo, decidiram lá se estabecer e ensinar a agricultura).

Outros, pensam se tratar os deuses do Egito Antigo, dos faraós da era pré-dinástica. Eles teriam governado com justiça, estabelecendo os limites do país e ensinando a civilização e a agricultura ao povo. Dessa crença, advém a ideia de  que é comum e correta a prática dos casamentos entre e os faraós e as rainhas ocorrerem muitas vezes entre irmãos. O  laço consanguíneo próximo, acreditava-se, purificava mais a união nobre e, os deuses também se casam entre irmãos. O casamento, portanto, elevava a condição humana.

Deuses egípcios (para algumas linhas de pesquisa os Neteru*)

Os deuses do princípio criador

Nun (as águas primordiais, a partir das quais todo o mundo foi engendrado; é a divindade ancestral) e Aton (o rei de todos os deuses, aquele que criou o universo. É o mesmo deus que gerou Shu, o ar, e Tefnut, a umidade).


Eneada – os nove principais

Amon – deus sol: o deus-carneiro de Tebas, rei dos deuses e patrono dos faraós. É o senhor dos templos de Luxor e Karnac. Tem por esposa Mut e por filho Khonsu. Seu culto data de 2000 a.C. Sob o nome de Amon-Rá é criador da ordem divina. Ele é o sol que dá vida ao país. Amon tornou-se um título monárquico, mesmo título que Ptah e .

Shu (deus do ar e da luz) e Tefnut (deusa da umidade e da graça): este casal constitui a sístole e a diástole universais e a atmosfera. Shu é a personificação da atmosfera diurna que sustenta o céu. Tem a tarefa de trazer o deus Sol, seu pai, bem como o faraó à vida ao alvorecer. É a essência da condição seca, do gênero masculino, calor, luz e perfeição. É representado como o homem que segura Nut, a deusa do céu, para separá-la de Geb, o deus da Terra (seus filhos). Já Tefnut espera o sol libertar-se do oriente para recebê-lo. A deusa é irmã e mulher de Shu. É o símbolo das dádivas e da generosidade, também conhecida por afastar a fome. Este casal representa o “ritmo do universo”.

Get (a Terra) e Nut (o firmamento): Get é o suporte físico do mundo material, sempre deitado sob corpo da esposa. Ele é o responsável pela fertilidade e pelo sucesso nas colheitas, estimulando o mundo material dos indivíduos e lhes promovendo enterro no solo após a morte. Este deus umedece o corpo humano na terra e o sela para a eternidade. Nas pinturas é sempre representado com um ganso acima de sua fronte. Nut é deusa do céu que acolhe os mortos no seu reino. Com o seu corpo esbelto, ornamentado por estrelas, encarna a curvatura da abóbada celeste que se estende sobre o planeta. É como um carinhoso abraço da deusa do céu sobre Geb, o deus da Terra. Nut e Geb são pais de Osíris, Ísis, Seth, Néftis e Hathor. Osíris e Ísis já se amavam no ventre da mãe e a perversidade de Seth evidenciou-se, logo ao nascer,  rasgando o ventre materno. Note-se, agora, uma disparidade com o mito de criação grego: Gaia (Géia) é a personificação feminina do planeta, mantendo um relacionamento de passividade com Urano, o céu (masculino).

Osíris (o deus do julgamento, dos mortos, pai e senhor de todo o Egito): sua gênese consta nos relatos da criação do mundo, sua geração é a ultima a acontecer e não representa mais os elementos materiais (como o céu, a terra, etc.). Há um mito que narra a ressurreição da vida relacionada com a cheia do Nilo, que mantém relacionamento com este deus. Osíris é morto, destruído e ressuscitado, relembrando, assim, a morte e a vida da vegetação e de todos os seres. Desta maneira, ele é o deus dos mortos e da ressurreição, rei e juiz supremo do mundo dos mortos. Acredita-se que ele tenha sido o primeiro Faraó e que ensinou aos homens  a civilização e a agricultura ao entorno do rio sagrado. Pensa-se ainda que seu mito teria similaridade com a história de Cristo.

Ísis (deusa mãe, protetora do Egito): resultado da união do material e do espiritual, é a mais popular de todas as deusas egípcias, considerada a deusa da família, o modelo de esposa e mãe, invencível e protetora. Usa os poderes da magia para ajudar os necessitados. Ela criou o rio Nilo com as suas lágrimas. Reza a lenda que, após a morte de seu amado esposo, ela transforma-se em um milhafre para chorá-lo, reúne os seus despojos, empenhando em trazê-lo de volta à vida. De sua pura união com ele, concebe um filho, Hórus.  Perfeita esposa e mãe ela é um dos pilares da tessitura sócio-religiosa egípcia. Sua coroa memora um assento com espaldar (trono) que é o hieróglifo correspondente a seu nome nome. É importante dizer que o conceito da “imaculada concepção”  e de beleza exemplar advém de seu mito. Além de haver possível conexão entre o seu mito e o de Deméter (divindade grega).

Néftis (mãe terra e senhora dos mundos infernais): sempre acompanha Ísis no processo post mortem. Mesmo sendo esposa de Seth, ela permanece solidária à Ísis, ajudando-a a reunir os membros espalhados do esposo defunto da irmã, por quem era apaixonada, e também toma a forma de um milhafre para velá-lo. Como Ísis, ela protege os mortos e os sarcófagos. É ainda na acompanha a Mãe do Egito e o sol nascente,  defendendo-o contra a terrível deusa serpente Apófis.

Seth (deus da maldade e da guerra): foi considerado Senhor do Alto Egito durante o domínio dos Hicsos. Embora inicialmente fosse um deus de índole benfazeja, com o passar do tempo tornou-se a personificação do mal e da inveja. Era representado por um homem com a cabeça de Tífon, um animal imaginário formado por partes de diferentes seres, com a cabeça de um bode, orelhas grandes, como um burro. Associavam-no ao deserto aos trovões e às tempestades. A pugna entre Osíris e Seth é  a representação da terra fértil contra a aridez do deserto.  Tinha apreço por alguns crocodilos do Nilo que personificavam os defeitos humanos, assim como os nossos medos. Em suma, Seth é o par antitético de seu irmão Osíris.

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* anjos de deus: as diversas facetas de um mesmo deus, criador de tudo.

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Em um próximo post, falaremos sobre as divindades superiores do Egito.

Até lá…

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Reconhecimento mundial: Considerado um dos artistas mais famosos e versáteis, Picasso  (25/10/1881 – 8/04/1973) foi reconhecidamente um dos grandes Mestres da Arte do século  passado.

Co-fundação do Cubismo: Aliado a Georges Braque, Pablo Picasso criou a estética cubista, à  esteira das correntes  vanguardistas europeias da 1ª metade do século XX. O próprio Cubismo  tornou-se um dos expoentes da Arte Moderna.

Explosão criativa: Criador de milhares de trabalhos, o pintor espanhol demonstrou interesse  em  outros setores das Artes Plásticas, tais como a escultura (com os mais variados materiais) e  o trabalho com a cerâmica.

Períodos

Sua obra pode ser concatenada por meio da classificação em períodos. O primeiro período é chamado Azul, pois consiste em obras taciturnas em que predominam os tons de azul e de verde azulado. A tônica desta fase sombria de Picasso é dada pelas viagens que fazia pela Espanha em sua face marginal (prostitutas e mendigos) e pela morte de seu amigo Carlos Casagemas.  Além desta faceta triste, outro tema recorrente do Período Azul (1901 – 1904) são artistas circenses. Em  especial, a figura do arlequim, que seria tão utilizada pelo pintor, seu símbolo.

La Vie: obscura alegoria da morte do amigo Casagemas.

O Período Rosa (1905 – 1907) se caracteriza por uma temática mais alegre, com predominância de rosa e de laranja. Os arlequins, nesta fase, fazem-se ainda mais presentes.

Picasso começou a se inspirar na África no Período chamado de Africano (1907 – 1909). As ideias desta fases levaram-no, gradativamente, ao que se convencionou chamar de Cubismo.

Les Demoiselles d'Avignon

Cubismos

Cubismo Analítico (1909 – 1912) – predomínio de tons marrons monocromáticos. Analitismo das formas geométricas.

Cubismo Sintético (1912 – 1919) – composições feitas a partir de colagem nas telas.

O “retorno à ordem”

Depois da 1ª Guerra Mundial, Picasso produz obras de teor neoclássico. Esta “volta” às reminiscências da pintura acadêmica se revela uma tendência de vários outros artistas também.

Surrealismo e o Minotauro

Os ares dos anos 30 trazem consigo o ideário surrealista. Picasso, influenciado pela nova estética adquire um novo símbolo: o Minotauro. Advinda da mitologia e dos sonhos, essa também fará parte de uma das obras mais conhecidas do pintor.

Guernica: protesto contra o bombardeamento alemão em Guernica, cidade espanhola.

Sugestão de filme sobre Pablo Picasso:

Os Amores de Picasso

Título original: (Surviving Picasso)

Lançamento: 1996 (EUA)

Direção: James Ivory

Atores: Anthony Hopkins , Natascha McElhone , Julianne Moore , Joss Ackland , Dennis Boutsikaris

Duração: 125 min

Gênero: Drama

Post publicado por: Nathaly Felipe Ferreira Alves

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Poesia1

 

Você já se perguntou sobre o que é Poesia?

P O E S I A ! Poesia é tudo aquilo que você enxerga como poesia. Para alguns essas letras maiúsculas são apenas letras, para outros é um recurso de expressividade. Sim, Poesia tem a ver com Estilo. E Estilo cada um tem o seu. Estilo tem a ver com a emoção, com o apelo sensorial transmitido por meio das palavras. Palavras que se tornam uma coisa viva, palavras que choram e que riem.

A Poesia nasce da alma, da inspiração. Há quem diga que seja “transpiração” e não “inspiração”, mas sem esta o que seria? Um amontoado de palavras? Não. A Poesia é altamente expressiva, e não apenas vocábulos, seu sentido transcende ao do signo significante.  Até mesmo João Cabral de Melo Neto, primo de Manuel Bandeira, precisava de uma inspiração e a inspiração dele era a folha branca. Ele escrevia numa folha branca e, quando ficou cego, não mais conseguia escrever e nem ao menos ditar os poemas. Cada artista, tem a sua inspiração. Uns precisam do sentimento, das experiências, das dores, das imagens e outros da folha branca!

Vejamos o Haikai, por exemplo, um poema haikai sem uma imagem não é nada, não é haikai. Para pertecer a esta classificação precisa ser “inspirado” numa imagem.

Mas você pode me perguntar: E a técnica? E os sonetos decassílabos de Camões?

Oras! A técnica é adquirida, é o estudo, é o esmero, é o esforço, mas a técnica não “vive” sozinha. De nada adiantaria ecsrever um poema com “n” técnicas sem o sabor da inspiração. De onde vem os temas? Da inspiração!

Primeiro, rascunha-se, anota-se, depois a técnica entra em questão. Se for o desejo do poeta, é claro. Há alguns que não revisam suas obras, para não lhes tirar o gosto profundo…

Paula Cristina

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Sobre a origem da palavra Forró temos duas “versões”

1) Segundo Câmara Cascudo, o grande folclorista brasileiro, a palavra deriva de “forrobodó”, que por sua vez, é de origem africana (dialeto bantu) e que significa bagunça, farra, confusão.

2) Os ingleses que trabalham na construção da ferrovia Great Western, promoviam bailes abertos ao público, ou seja for all, daí ficou conhecido por forró. (essa é a mais “fantasiosa”)

O Forró é uma mistura das influências africanas e européias e desenvolveu-se muito no Nordeste. O forró possui semelhanças com o Toré e o arrastar dos pés dos índios brasileiros, com o ritmo da Chula e da Polka. Interessante é observar que a quadrilha (as da festa junina) muito se parecem com a polka. Além disso, o forró adquiriu também o balançar dos quadris dos africanos.
O batuque – dança de roda onde os africanos mostravam a sua cultura – foi o tronco principal no que diz respeito à formação da música popular no Brasil. Dele surgiram variações que se espalharam tanto em áreas urbanas quanto rurais, sob vários nomes e estilos próprios conforme a região do país:

* Forró pé de serra: é o som feito pelos precursores do gênero, sempre com o presença do triângulo, sanfona e zabumba.

* Baião: nascido de uma forma especial de os violeiros tocarem lundus na zona rural do nordeste (onde recebia o nome de baiano e era dançado em roda), esse ritmo foi transformado em gênero musical a partir de meados da década de 40, como resultado do trabalho de estilização feito por Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, quando sofreu influências de ritmos como o samba e a conga.

* Xote: ritmo de origem européia que surgiu dos salões aristocráticos da época da Regência. Conhecido originalmente com o nome schottisch, passando a ficar conhecido como chótis e finalmente xote. Saiu dos salões urbanos para incorporar-se às regiões rurais.

* Xaxado: O nome é uma onomatopéia, baseada no som que as alpercatas dos sertanejos faziam ao serem arrastadas durante os passos de dança. É uma dança do agreste e sertão pernambucano, bailada somente por homens, que remonta da década de 20. O acompanhamento era puramente vocal, melodia simples, ritmo ligeiro, e letra agressiva e satírica. Tornou-se popular pelos cangaceiros do grupo de Lampião.

* Coco: dança de roda do norte e nordeste do Brasil, fusão da musicalidade negra e cabocla. Acredita-se que tenha nascido nas praias, daí a sua designação. O ritmo sofreu várias alterações com o aparecimento do baião.

* Forró universitário: é um movimento cultural, que começou em Itaúnas- ES e se desenvolveu em outras cidades do Sudeste do Brasil, com o pessoal das faculdades. Acrescentou-se à música do Forró Pé-de-serra elementos como o baixo e a guitarra e à dança uniu-se passos de Samba-Rock, Salsa e Zouk.

Com imigração dos nordestinos para outras regiões brasileiras, o forró ganhou força e nova vitalidade. A música e o estilo de dança foram agregados à cultura das outras regiões. Nos anos 1970, surgiram, nessas e noutras cidades brasileiras, “casas de forró”. Artistas nordestinos que já faziam sucesso tornaram-se consagrados (Luiz Gonzaga, o “pai” do forró; Dominguinhos; Trio Nordestino; e Genival Lacerda).

Depois de um período de desinteresse em década de 1980, o forró ganhou novo fôlego da década de 1990 em diante, com o surgimento e sucesso de novos trios e artistas de forró.

Eis aqui uma lista:
• Luiz Gonzaga
• Alceu Valença
• Sivuca
• Elba Ramalho
• Jackson do Pandeiro
• Chico Salles
• Dominguinhos
• Frank Aguiar
• Almira Castilho
• Genival Lacerda
• Marinês
• Rita de Cássia
• Trio Nordestino
• Zé Ramalho
• Elba Ramalho
• Flávio José
• João do Vale

Fonte das informações: http://www.meionorte.com/danielcristovao,forro-cultura-nordestina-genuinamente-brasileira,65155.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Forr%C3%B3

PAULA CRISTINA

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Kiriê

Kiriê

Para quem só conhece o “Origami” (dobradura) como arte oriental, lá vai outras opções:

Kiriê    ( Kiri = cortar, ê = formar desenho)

É preciso cortar o papel utilizando uma lâmina para formar o desenho escolhido. Estudiosos apontam que essa arte já aparecia em 759 dC como ilustração das poesias de Manyoushu. O Kiriê requer paciência e delizadeza, pois “formar o desenho”  não é nada fácil. O desenho é colocado sobre outro papel  (que lhe serve de fundo) para que os detalhes possam ser apreciados.14

Kiriê - Aves

Kiriê - Aves

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Oribana

Oribana

 

 

 

Oribana ( Origami = dobradura, Ikebana = arranjo floral)

 

 

 

 

O Origami tem origem nos monastérios budistas, assim como o Ikebana, que era utilizado como oferenda no atar. O desenho a ser montado exigirá papéis diferentes: figuras fortes pedem papéis resistentes e figuras delicadas, papéis mais finos.

oribana02

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Washiê  - Boneca Japonesa

Washiê - Boneca Japonesa

 

 

Washiê (washi = papel especial, ê = formar desenho)

 

 

 

 

Washi é um papel artesanal japonês (não é fácil encontrá-lo, mas há lojas especializadas em artesanto que o comercializam). A técnica do Washiê exige do praticante conhecer o papel e o sentido do fio para que possa ser desfiado, formando assim, o desenho pretendido. É possível fazer pinturas com colagem de papel picado e desfiado.

Papel Washi

Papel Washi

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Kirigami - Cartão

Kirigami - Cartão

 

Kirigami ( Kiru = cortar, kami = papel)

 

 

 

 

A junção das técnicas do Origami e o Kirigami originou o Kirigami 3D, pois as figuras parecem “saltar” do papel. Os papéis mais indicados são o vergê e o color plus. O segredo está em recortar o papel paar obter o efeito tridimensional nas dobras da imagem que não se amassam ao fechar a figura.

kirigami

 

 

 

 

 

 

 

 

Paula Cristina

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A arte antes do século XX era uma coisa. No começo do século XX a arte se transformou em outra coisa. Junto às vanguardas estéticas europeias, surgiu toda uma nova maneira de encarar a arte. Aquela arte como “imitação da natureza” (mímese), vista na pintura figurativa, na escultura, e até mesmo na literatura naturalista caía por conta de novas formas como a fotografia e o cinema. A arte começou a se debruçar sobre si mesma, começou a tratar da própria arte, numa postura de metalinguagem. O ato criativo tomou a frente nos interesses dos artistas, e a ideia ganhou destaque frente à plasticidade. Desta forma, a arte residia na concepção do artista, na própria ideia de compor, não no objeto, nem nas impressões que este causava. Uma posição de contestação à própria ideia que se tinha sobre o que era arte.

O contexto era o das guerras mundiais. Haveria possibilidade de arte ante a banalização da condição humana e os horrores da guerra, meu Deus?
Dizem que o grande expoente desta escola é o Marcel Duchamp, quando resolveu pôr um vaso sanitário como atração de museu. Chamou-se aquilo de ready-made, ou seja, um objeto já existente, que perdeu sua função original e ganhou status de arte. O mesmo vale para a roda de bicicleta. A arte, aí, não reside no vaso ou na roda em si, mas na concepção do artista em tirar o vaso do banheiro e colocá-lo no museu, para admiração boquiaberta de todos.

A "Monalisa" de Duchamp

Em 1919, Duchamp expôs uma reprodução da Gioconda de Da Vinci desenhando bigodes nela, e batizou a obra de LHOOQ (que significa Elle a chaud au cul, algo como "Ela tem fogo no rabo", em português). Dessacralização da Arte.

Sim, a Arte Conceitual tem a ver com o Dadaísmo.

E mais: daí deu-se a surgir outras manifestações que preconizavam a ideia anterior ao objeto. Você sabe o que é um happening?

Happening é uma manifestação artística pentencente às Artes cênicas. Happening é um “acontecimento”. Imagina, você tá na fila do dentista, de repente entram três atores vestidos de Pierrô, Arlequim e Colombina contracenando Macbeth. Pode ser pior: eles podem pedir a participação interativa da plateia. Ou então: Você está no trem, mais exatamente no Brás, às 6 da tarde, quando entra no seu vagão um mendigo com cheiro de pinga ensaiando o solilóquio de Hamlet (ou recitando Drummond). Nestes casos, amigo, Shakespeare seria o de menos…

As instalações são outra forma de Arte Conceitual. São essas que mexem com a cabeça do cidadão desavisado que vai ao museu. Já vi desde uma reprodução de um corpo em putrefação pendurado numa sala de museu até um terço de oração em formato fálico. Predomina a idéia, repito, não o objeto. Há um quadro (tentei encontrar pra postar aqui) de uma pintora brasileira que reproduziu uma mulher atormentada na pintura. Mas a tela estava rasgada ao meio. Foi por meio da materialidade do suporte (tela) que a artista representou a ideia do rasgo interno da personagem que criou. Loucura, né? Não é exatamente Arte Conceitual, mas ela se valeu do conceitualismo para causar uma sensação.

Retrato de Iris Clert, de Rauschenberg. O artista escreveu um telegrama dizendo: "Este é um retrato de Iris Clert, se eu disser que é".

Retrato de Iris Clert, de Rauschenberg. O artista escreveu um telegrama dizendo: "Este é um retrato de Iris Clert, se eu disser que é".

Eu lembro de uma música dos Ramones onde Joey cantava: “Second verse, same as the first!”.

E a Arte Conceitual na literatura? Tem quem fale no cerebrismo de James Joyce, mas acho que todos aqueles autores que escreviam sobre o próprio ato de escrever já criavam terreno pro conceitualismo na literatura. Sim, o Machado de Assis é um exemplo. Memórias Póstumas, pra mim, é um livro moderno. Mas ainda não era Arte Conceitual. O exemplo que me vem agora é o de um trecho do André Sant’Anna, contemporâneo, cujo personagem, no meio do conto, diz algo mais ou menos assim: “Eu não sou um policial. Sou uma personagem em terceira pessoa criada pelo escritor…” etc. Eu acho fantástico. Algumas crônicas do Verissimo trazem bem latente esse estilo de expressão, certamente herança de Borges, a quem lia muito e muito. Há uma crônica do Leon Eliachar (não encontrei) que fala sobre como se cria uma crônica, e do que a crônica não deve falar. Há quem escreva em muros, na pele, etc. Uma atitude espelhada e caleidoscópica de arte.

Ainda no reino impenetrável das palavras, após a Arte Conceitual começamos a contar com as palavras nas telas dos artistas, participando ativamente da significação dos quadros. Vide Magritte.

Espelho Mágico, de René Magritte, 1929. A figura traz um espeho, onde se lê: "Corpo humano".

Espelho Mágico, de René Magritte, 1929. A figura traz um espeho, onde se lê: "Corpo humano".

Alguns poemas do Drummond falam sobre o ato artístico, e podemos dizer que esse cara foi o vanguardista da metalinguagem na poesia brasileira.

Que mais? Acho que só. Há um livro-base pra quem quer saber um pouco mais sobre Arte Conceitual, está disponibilizado gratuitamente no Google Books, em clicando-se aqui.

Perdoem-me se falei alguma besteira, não sou especialista no assunto, apenas um curioso. Mas a ideia foi boa, vai dizer que não?!

Instalação de Joseph Kosuth, chamada One and Three Chairs, 1965. O artista expõe uma fotografia de uma cadeira, uma definição de dicionário e a própria cadeira. Peraí, o que é mesmo "realidade"?

Instalação de Joseph Kosuth, chamada One and Three Chairs, 1965. O artista expõe uma fotografia de uma cadeira, uma definição de dicionário e a própria cadeira. Peraí, o que é mesmo "realidade"?

Eu mesmo já fiz muitas obras conceituais, mas elas ainda não saíram do campo da ideia.


(da mesma forma que a palavra peixe não é um peixe, nem tem cheiro de [sic])

Lucas de Sena Lima, o bonzão.

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