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Algumas considerações…

Por: Nathaly Felipe Ferreira Alves

Personagem que figura a mitologia egípcia, grega e babilônica a Esfinge é sinônimo de força, de poder, mas também de mistério, introspecção e autoconhecimento.

Antes de continuarmos nossa exposição das principais figuras da mitologia egípcia, gostaríamos de refletir, ainda que minimamente, sobre o que, afinal, representa a mitologia. Ousamos também entender quais seriam seus possíveis propósitos.

A gênese de todos os mitos perde-se nas brumas do tempo. Não se pode dizer exatamente de onde essas histórias realmente advêm. E, apesar de magníficas, geralmente tais narrativas não são “palpáveis”, na medida em que gravitam na órbita do maravilhoso, do onírico, do mágico. Justamente por este motivo, de maneira geral, a mitologia não agasalha as tais “verdades científicas”, porque transportá-la ao real seria como destituí-la de todo o seu encanto.

Se não sabemos sua origem, podemos saber sua função?

Para que servem os mitos? Além de possuirem, como já mencionamos, um cunho totalmente imaginoso, capaz de nos levar às viagens mais incríveis do gênio humano, capaz de nos maravilhar, a mitologia aborda os temas ocultos, parcamente compreendidos pela razão.

Mas… tentemos entender o valor da mitologia para os nossos ancestrais. Tarefa árdua, uma vez que não podemos voltar aos primórdios dos tempos da criação destas histórias, tampouco possuimos  a visão dos antigos. Podemos, contudo, promover uma tentativa, desde que nos inclinemos à visão de outrora. Imparcialidade? Não. Não podemos alcançá-la. Mas, se pudermos ao menos entender o pensamento dos antigos, com o ideário deles (fazendo isso com o mínimo de pesquisa e desprendimento às considerações “modernas”, bem como sem o preconceito proveniente da falta de consciência histórica, por assim dizer) talvez possamos entender a função dos mitos.

Remetendo nosso pensamento à Antiguidade, os mitos não indicariam algo considerado falso (afinal, hoje em dia, esse é um dos sinônimos da palavra), senão o código segundo o qual as divindades transmitiam sua linguagem e seus ensinamentos à humanidade. Por meio deles, desta forma, seria possível estabelecer uma real conexão com os imortais, aprendendo com eles.

Entendendo as condições criativas e criadoras dos mitos, pensemos: por que a mitologia apresenta uma linguagem na maioria das vezes ambígua? Seguindo a linha de aprendizado que o mito nos proporciona, não aprendizado moral, mas essencial, podemos sugerir que a humanidade precisa aprender a interpretar para encontrar o seu próprio caminho. Nenhum deus, portanto, poderia falar diretamente com um indivíduo humano. Este precisa deixar-se levar pela névoa do mito, pelo mundo mágico do mito para entender o mundo real. Conhecer as possibilidades.

Encarando os mitos desta forma, compreendemos porque eles não precisam competir com a ciência, por exemplo. A mitologia nos mostra os mistérios da vida, narrando nossos dramas existenciais coletivos e individuais. Traduzem nossas alegrias e tristezas, enfim… Enquanto criação humana, a mitologia canaliza todos os nossos anseios e medos e nos ensina a enfrentar os nossos dragões.

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