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 Por: Denis J. Xavier

 

Atire a primeira pedra quem nunca ouviu alguém dizer: Sim eu assisti, mas prefiro o livro!. Pois bem, não é de hoje que a sétima arte utiliza textos literários transformando-os em roteiros e criando assim uma discussão eterna sobre o que é melhor: Filme ou Livro?. As adaptações de obras literárias para o cinema começaram tão logo os irmãos Auguste e Louis Lumiére fizeram a primeira projeção da história, e continuarão por muito tempo, pois esta é uma fonte inesgotável de histórias.

E mesmo com todos os prêmios dedicados aos roteiristas, são famosas as críticas de muitos autores à transformação de seus textos em filmes. Hemingway, por exemplo, reclamou de O velho e o mar. Mas há autores que ficam felizes com os trabalhos feitos a partir de suas obras. Um deles foi José Saramago, que teceu elogios à adaptação de Don McKellar, para seu livro Ensaio sobre a cegueira, dirigido pelo brasileiro Fernando Meireles, em 2008.

Para mim esta disputa não se faz necessária, e alguns roteiros adaptados corroboram minha opinião. Um deles é Dom Quixote. Orson Welles fez um filme belíssimo. Nem melhor, nem pior que a leitura do livro de Cervantes; é, sim, uma experiência diferente. Outro caso de ótima adaptação é o do filme Mutum, da cineasta Sandra Kogut, adaptado da obra Campo Geral de Guimarães Rosa. Um dos mais belos filmes brasileiros dos últimos dez anos, que provoca sensações outras em comparação à leitura da obra.

Ao final deste texto há um filme datado de 1903. Uma adaptação de As Aventuras de Alice no país das Maravilhas. Os quase 9 minutos mais parecem um filme de terror tosco de nossos dias. Chega a ser bizarro, mas o intuito é mostrar como a adaptação deste texto foi feita há pouco mais de 100 anos. Antes disso, vejamos a diferença entre um trecho de uma obra literária e seu correspondente em roteiro:

 

Livro e filme: Memórias Póstumas de Brás Cubas.

 

Trecho do livro: “Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou minha morte. Suposto que o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método…”

 

Trecho do roteiro¹:

Dia chuvoso. Brás Cubas dentro de um caixão. Fecham o caixão e começa a sair o féretro com umas 10 pessoas acompanhando, guarda-chuvas abertos. Vemos o rosto de Brás dentro do caixão (câmera dentro do caixão).

FANTASMA FALA

(Off) Algum tempo pensei se a história deveria começar pelo começo ou pelo fim, isto é, se eu contaria antes o meu nascimento ou a minha morte.

O caixão percorre o cemitério e chega a uma cova aberta. VIRGÍLIA em especial destaque durante o percurso.

 

Na comparação destes dois trechos há muitas diferenças. Mas, para você que leu o livro de Machado de Assis, a quantidade de pessoas na cena do enterro não te chama a atenção? E o destaque a Virgília durante o enterro? Enquanto, na obra, Machado pede paciência ao leitor para poder manter em segredo por algum tempo a terceira senhora, no filme ela aparece logo no começo do enredo. Ainda que, no filme, seja revelada pouco depois, sua identidade acaba aparecendo antes do momento em que isso acontece no livro.

Apesar de tudo o que se diga sobre adaptações, quem deixa a paixão pela obra literária de lado normalmente consegue ter prazer com as duas artes. Compreende que são formatos diferentes e que aquilo que cabe nas páginas de seu livro favorito muitas vezes não cabe em 120 minutos de um filme. Por isso, deixe fluir. Boa leitura e bom filme a todos.

 

Fontes:

(¹) Roteiro baseado no livro Memórias Póstumas de Brás Cubas.

Alice no País das Maravilhas (1903).

Por: Nathaly Alves

 

Mímese: imitação das aparências, das essências, das ações, ou dos estados de alma?

Particularmente significativo para o entendimento do fenômeno artístico, principalmente do literário, o conceito de mimesis tem sido objeto de análise de muitos estudiosos desde os filósofos da Grécia Antiga.

Mímese, grosso modo, significa “imitação” e, nesse sentido, pode possuir diversas interpretações.

Para Platão, a arte, sob o prisma mimético, dizia respeito às opiniões e às aparências representadoras do mundo dito real. Segundo esta concepção, portanto, a mímese representa a imitação das aparências (da realidade).

Segundo a doutrina platônica, porém, faz-se válida a lembrança de que a realidade em si é meramente uma imagem, praticamente um vulto, por assim dizer, do plano das ideias eternas. Pensando desta forma, a arte se configuraria como uma espécie de espectro da realidade, um simulacro que não mostraria reconhecimento verdadeiro em um plano de realidade.

Por outro lado, Aristóteles relaciona o conceito de mímese à imitação das essências do mundo. Desta maneira, o imitar não estaria sujeito à mera duplicação de uma imagem referente, por exemplo. A configuração mimética, de acordo com o ensinamento aristotélico, implicaria em um profundo conhecimento da natureza humana. Atrelada ao conceito de mímese de Aristóteles, o objeto da arte se tornaria real na medida em que se dirigisse purificação que liberta os seres: a catarse.

Outros estudos gregos da Antiguidade, como os de Pitágoras, versam que o fenômeno mimético não é senão a “expressão dos estados de alma”, que implicariam até mesmo em uma possível terapia para autor e leitores da arte, à medida que os sentimentos seriam tratados quando expostos.

De qualquer forma, a mímese entendida como espelho passou por séculos até o conceito aristotélico foi verdadeiramente decodificado em seu real significado por Kant, Hegel (filósofos) e Hölderlin (escritor). A partir das considerações destes estudiosos, a mímese passou a ser encarada como manifestação da plenitude da realidade.

Pensando propriamente em literatura, percebe-se que a linguagem – convencional e arbitrária – configura uma realidade mais essencial que virtual. A realidade é transmutada em simbologia de essências universais, pois imitar não é copiar. A arte complementa a natureza sem, necessariamente, confundir-se com ela.

Mímese, em síntese, pode ser considerada atualmente como imitação, tal como os gregos proferiram. Mas, reprodução de sua capacidade de gerar, de criar. Além disso, antes da imitação da força natural, da realidade, da materialidade, da substancialidade, enfim… Pode-se entender que, hoje, a arte, por meio da mímese, recria a realidade, absorvendo sua essência revigorando-a. Criando seu próprio universo.

 

por: Carolina Cecatto


“Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.”

Antoine Saint-Exupéry

 

Hoje em dia muitas pessoas podem contar com o braille, utilitária linguagem criada pelo francês Louis Braille em favor dos deficientes visuais. Desde 1824, ano em que o sistema foi concluído, até os dias atuais, esse é considerado ainda o método essencial para um deficiente visual poder se comunicar via escrita.

Há outros meios de um deficiente visual estabelecer e possuir uma autonomia na comunicação. Existem programas de computador, como o DOSVOX, que, basicamente, realiza através de uma voz sintética a leitura de textos, por exemplo. Há ainda os livros falados, que leem revistas, livros etc. Geralmente, o livro falado é distribuído em CD’s.

Existem também os instrumentos que auxiliam o deficiente visual na feitura do texto braille. Os cegos usam a reglete e a Perkins (máquina de datilografar específica) para elaborar o braille de imediato, quando não há a possibilidade de impressão. As impressoras braille e as máquinas Perkins ainda não são os instrumentos mais populares, no entanto, em instituições especializadas é possível encontrá-los.

A leitura do braille chega a ser tão habitual para alguns deficientes visuais que muitos deles chegam a ler cerca de duzentas palavras por minuto. E não é nada muito complicado de entender, não. Requer apenas concentração e tempo para memorizar os caracteres. Agora entenda um pouco mais como funciona a disposição dos caracteres no momento de decodificação tátil dos cegos:

 



Esta é uma cela ou célula braille ainda vazia, que indica apenas um caractere. A numeração ao lado dos pontos indica a ordem em que eles devem ser citados para a decodificação do caractere.

 

 

Se um deficiente escrever em sua Perkins a palavra “sol”, vai fazer desta forma:

Os pontos escuros referem-se aos pontos em relevo no braille.

 

Para redigir essa palavra (sol) o deficiente visual usou os pontos 2, 3 e 4 na 1ª cela; 1, 3 e 5 na 2ª cela; e 1, 2 e 3 na 3ª cela. Essa é uma forma muito comum de se comunicar cada símbolo braille, citando os pontos que o compõem, na sequência em que aparecem nesta composição.

Aqui fica um pedaço do universo braille compartilhado. Existem inúmeras tecnologias para facilitar a mobilidade dos cegos, pra proporcionar a eles mais autonomia e inclusão. O braille é um referencial no mundo do deficiente visual. Esses pontinhos, quando apreendidos, têm o poder de ampliar muito o repertório e a realidade, inclusive dos que enxergam.

 

Sites sobre braille:

Aprender o braille virtualmente – USP.

Fundação Dorina Nowill Para Cegos.

Senai – Apresentação do braille.

Entrevista com Dorina Nowill.

 

 

A gente começa a ler o livro antes de lidar com qualquer palavra. A leitura começa no tato, no olhar. Um livro pequeno, com os cantos arredondados, em papel cartonado, parecendo um livro infantil, embora seja inteiro preto e branco. Deve ser por isto que Mario Bellatin, que escreveu a quarta capa, assinalou: “Estou convencido de que uma das características de um livro contemporâneo é que, antes de ser uma leitura, ele é uma experiência”. Uma experiência sensorial, o prazer do livro físico.

Os Anões é o terceiro livro para adultos da gaúcha Veronica Stigger, ex-jornalista, hoje professora e crítica de arte. São textos curtos, histórias que exploram nosso sadismo e nosso fascínio pelo estranho, o inabitual dentro do habitual.

O livro é dividido em três partes: “Pré-Histórias”, “Histórias” e “Histórias da Arte”. Dialoga, o tempo todo, com a história da arte e com a antropologia, mostra uma fauna de criaturas selvagens, inclusive ela mesma, a artista Veronica, aparece algumas vezes no livro.

Há aqui o deslocamento de textos e situações para o suporte livro, numa espécie de ready-made, quando uma anotação para uma amiga, um rascunho com um endereço ou um anúncio publicitário, se transforma em arte. E há o curioso registro sobre a mercantilização da arte, como em textos nos quais os nomes de grandes artistas servem de anúncios de venda de apartamentos, jogos de talheres, etc.

E há ainda, sobretudo, as imagens do absurdo, em linguagem descritiva e fluente. Imagens de Kafka, mas, aqui, não somente o irreal e ilógico que dão sentido ao termo “kafkiano”, também o oposto, o excesso de realidade a que estamos expostos. Numa temporada de caça ou numa colheita de cogumelos que acaba mal, o homem, para satisfazer vontades estranhas, põe em risco a vida:

Caça

Primeiro dia da temporada de caça. Dois caçadores já morreram por engano, e uma camponesa foi atingida nas nádegas por um disparo perdido. A bala foi retirada com sucesso e a camponesa passa bem.

O conto que dá título ao livro traz a história de um casal de anões que tenta furar a fila e é vítima de um linchamento coletivo, tornando-se repositório da cólera geral. (O conto se encerra como na famosa cena kafkiana de A Metamorfose). O anão, figura representativa do grotesco, do diferente, abre um embate entre cidadãos normais versus os deficientes, os seres éticos versus aqueles com “graves falhas de caráter”. O conto seguinte sugere, sutilmente, uma continuidade:

Teste

− Que tal fazer, então, o mesmo teste com mulheres gordinhas, de cabelos crespos?

Em um conto mais à frente, uma clara e interessante referência à pessoa da autora. Ela se suicida no seu apartamento novo durante uma festa; depois, seu namorado lê aos convidados um conto deixado por ela, que ninguém entende (conto que aponta a incompreensão de um ato suicida e a incomunicabilidade da arte). Ainda mais à frente, uma história de um amor estranho, suicida, nas cenas dos contos Curta Metragem I e II, em linguagem de roteiro de cinema, um gênero curioso e questionado na literatura. Um dos contos mais impressionantes é “Quand avez-vous le plus souffert?” (Quando você mais sofre?) em que, numa cena de ternura materna, a mãe estrangula uma criança com um fio de lã.

O livro termina com um fac-símile de um documento da autora, e seu curioso equívoco de registro que a coloca como pertencente ao sexo masculino, o que põe em jogo a contestação da noção de gênero, sexual e literário.

Veronica Stigger/Divulgação

Os Anões é um livro de cenas deliciosas  belas ideias, e de reflexões sobre a arte. Não é um livro de artifícios de linguagem, metáforas engenhosas, trabalho linguístico. É um livro de instantes, que, apesar de por vezes parecer desnecessariamente detalhados, nos proporciona momentos de gozo assim que percebemos: que bela sacada esta, que situação louca. E não voltamos a ser os mesmos.

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Lucas de Sena Lima

A filosofia de Nietzsche é um instrumento de combate, um instrumento conceitual indispensável para uma crítica radical dos valores da sociedade contemporânea.

Hoje ninguém mais duvida da existência de uma intensa e extensa crise de valores das sociedades atuais. Mas foi ainda no século XIX que o filósofo alemão Friedrich Nietzsche realizou, e não a primeira, a crítica mais radical das sociedades modernas, que ele considerou como niilistas e decadentes. (Texto de orelha do livro Nietzsche e a  Verdade, de Roberto Machado)

(…). Nietzsche foi um dos primeiros pensadores a apontar a existência de um lado sombrio da Modernidade, disfarçado geralmente sob uma aura de progresso científico e avanço tecnológico. (Texto de orelha do livro  A Genealogia da Moral, tradução de Mário Ferreira dos Santos)

“Deus está morto!” – com esta afirmação Nietzsche aponta o maior acontecimento da “história universal” e localiza, assim, o ponto de partida de sua reflexão filosófica. Deus é sinônimo de transcendência, de idealidade; ele é o fundamento e a garantia dos valores absolutos: Belo, Bem, Verdadeiro. (Luciana Zaterka, http://www.fflch.usp.br/df/gen/pdf/cn_01_05.pdf)

 E então…?

  • Ler os textos de Nietzsche não é tarefa fácil e, ainda se fosse, falar de Filosofia requer um certo cuidado porque mexe, afinal, com os nossos pensamentos. Questionar a si e a sociedade em que vivemos é algo doloroso porque veremos, de fato, o caos que se apresenta. E por falar em caos porque não pensar em Nietzsche? Nietzsche revelou o seu desagrado ao mundo idealizado em que sonhavam as pessoas morar, e com isso ganhou alguns apelidos: Nietzsche foi chamado já de pessimista, ateu, louco e por aí vai uma infinidade de pré-julgamentos.
  • Nietzsche foi um bom filho, um bom aluno e um bom professor (era professor universitário) e sofre muito a influência dos escritos de Arthur Schopenhauer, “o cavaleiro solitário”, mais um dos “pessimistas”. Na verdade, em linhas gerais Schopenhauer não se enquadrava no século XIX e introduziu o pensamento budista no pensar alemão da época. Para ele, a felicidade só poderia ser de fato alcançada com a anulação de toda e qualquer Vontade, sendo o homem um ser de Paixões e Vontades… Somente em estado de Nirvana* o homem anularia as Vontades.
  • Com essa influência e outras e as próprias reflexões, Nietzsche vai percebendo o quanto a sociedade está decadente e então temos a célebre frase “Deus está morto”. Nietzsche nega a existência dessa Transcendência (Deus) nessa sociedade decadente. E quem mata Deus, então? Nietzsche ou as próprias pessoas?
  • Nietzsche também fala das regras morais para conduzir os homens em sociedade, questionando a liberdade de ser: “Essa moral heterônoma, imposta, escolhida pelos dominadores, imposta pelo passado e predominante no presente pela vontade dos que representam os interesses do passado, é odiosa para mim. Quis substituir o “tu deves” pelo “eu quero”. O homem não é homem enquanto não puder praticar esse grande ato de liberdade, que o tornará senhor de si, quando respeitará a dignidade alheia por amor à sua própria dignidade, e assim o fará porque quer e não porque deve.” (Nietzsche, A Genealogia da Moral.)

AOS QUE AFIRMAM QUE O HOMEM É INCAPAZ DE ATINGIR ESSE REINO DE LIBERDADE, REPLICO-LHES QUE É A SUA FRAQUEZA QUE FALA ATRAVÉS DE SUAS PALAVRAS.

FRIEDRICH NIETZSCHE

___________

significa “extinto” ou “apagado”; isso equivale a dizer que o ego é extinto. O ego é transcendido.

___________

PAULA CRISTINA

Para saber mais:

http://www.fflch.usp.br/df/gen/index_port.html

http://www.fflch.usp.br/df/gen/pdf/cn_01_05.pdf

http://neurosefreudiana.wordpress.com/2009/07/12/friedrich-nietzsche-e-o-auto-conhecimento-e-ausencia-de-si/

http://filosofiaevertigem.wordpress.com/2009/05/29/nietzsche-tracos-biograficos/

 

 

O primeiro pensamento que se deve passar na cabeça de qualquer educador em relação á matemática é o que é Matemática e para que ela serve?

“Contar a história da disciplina que está sendo estudada pode ser uma forma de ilustrar as aulas e motivar os alunos. Assim, também o professor de Matemática pode e deve lançar mão desse recurso, apresentando à classe fatos interessantes sobre a vida dos matemáticos famosos, bem como descobertas e curiosidades nessa área do conhecimento” (NETO)

Quando estudamos a Língua Portuguesa, não estudamos os escritores famosos e conhecemos as suas obras? Então, por que não conhecer melhor os matemáticos? Essa pergunta faz sentido, pois atribui significado ao processo ensino-aprendizagem do aluno. Isto significa que ele está não só aprendendo a lidar com o raciocínio matemático, mas também torna esta disciplina significativa, quando o professor enfatiza a questão social e histórica.

“A missão dos educadores é preparar as novas gerações para o mundo em que terão que viver”. (SANTALÓ)

“(…) Trata-se de uma história social da Matemática, que coloca essa ciência como algo humano, um fato social, resultado da colaboração de todos, e que é estritamente ligada ás necessidades sociais.” (SANTALÓ)

O professor deve atentar para o fato de que cada faixa etária possui um certo nível de abstração para compreender a Matemática, logo é desejável que o conhecimento matemática parta do Concreto para o Abstrato, com a didática que melhor possibilite o aluno a internalizar e utilizar em sua vida o conteúdo apreendido e não apenas ser capaz de resolver contas e exercícios de fixação e memorizar fórmulas. Corrobora com esta idéia Neto ao afirmar que “(…) devemos considerar quando estamos lecionando, procurando colocar o assunto no nível do desenvolvimento do aluno”.

“Aos professores de matemática compete selecionar entre toda a matemática existente (…) aquela que possa ser útil aos alunos em cada um dos diferentes níveis de educação. (…)” (SANTALÓ)

Como o mundo contemporâneo parece, cada vez mais, estar acelerado com as ideias e informações, é preciso que o professor incorpore esse movimento em suas aulas, para que o ensino possa ser mais atrativo e contextualizado com a realidade.

(“…) A vida tem-se tornado mais difícil, e a escola deve evoluir para preparar indivíduos com capacidade para atuar neste mundo complexo e diversificado” (SANTALÓ)

Logo, o uso dos computadores e da internet, bem como dos jogos eletrônicos pode auxiliar o professor nesta etapa “acelerada” em que vivem as pessoas. As crianças nascem, hoje, numa geração virtual, onde tudo é muito rápido e prático. Daí, a necessidade da Matemática adaptar-se aos padrões do mundo de hoje.
É possível afirmar que o uso de jogos eletrônicos instiga e desperta interesse pelo raciocínio lógico e é justamente isso que o professor precisa deixar claro para os seus alunos: o objetivo de se estar “estudando brincando”, para que o jogo não seja visto como um motivo apenas de lazer. È preciso relacionar o prazer ao conhecimento, ao estudo.

“(…) como o mundo atual é rapidamente mutável, também a escola deve estar em contínuo estado de alerta para adaptar seu ensino, seja em conteúdos como em metodologias (…)” (SANTALÓ)

Mas e as escolas e/ou instituições educacionais que não possuem este recurso tecnológico?

É preciso agilizar as aulas e o uso de jogos de tabuleiro e jogos confeccionados pelos próprios alunos pode auxiliar muito para despertar os alunos a “desbloquear” e quebrar alguns tabus de que a Matemática não serve para nada, de que é difícil e complicada, que é preciso decorar tudo e que é uma matéria não humana, no sentido social da expressão.

Os jogos utilizados em sala de aula têm se mostrado eficientes para auxiliar o aprendizado da Matemática, pois além de mobilizar o aluno para aprender também é possível trabalhar conteúdos matemáticos, como, por exemplo, o uso do tangram para que o aluno reconheça formas geométricas e de que maneira elas são utilizadas no nosso dia a dia.
Essa postura pode ser adotada desde a educação infantil até as séries do Ensino Médio, variando o grau de dificuldade e lógica dos jogos.

Além de levarmos em conta a sociedade globalizada e “cibernética”, na qual estamos envolvidos, a didática coerente e a significação da matéria, é preciso atentar para o que o estudioso Gardner aponta como “Inteligências Múltiplas”. Ao prepararmos uma aula temos de levar em conta de que nem todas as crianças aprendem da mesma maneira e que é interessante reforçar o objetivo do estudo de maneiras que contemplam as mais variadas Inteligências Múltiplas. Isto não significa preparar 7 ou 9 aulas diferentes com o mesmo conteúdo, mas abordá-lo de distintas maneiras, utilizando ora a escrita para reforçar os conteúdos, ora músicas, figuras, brincadeiras em sala, jogos, etc.
Na verdade, não existem receitas prontas na área educacional, muitos acertos, que depois são observados e passam a ser alvo de nossos estudos, foram na verdade parte de muitas tentativas de ensaio e erro.

Talvez, a maior dificuldade dos professores seja a de transformar e/ou quebrar o tabu de que os conhecimentos estão prontos e os alunos os receberão em sua totalidade. O aluno precisa construir o seu próprio desenvolvimento, aprender a aprender e para que o aluno sinta-se confiante nessa jornada, é preciso dar subsídios a ele, mas também estimulá-lo a ponto de que os passos sejam por dados por ele, com significação e objetivos.

“(…), é importante ensinar a aprender, coisa que o aluno terá que fazer por si só quando concluir seu ensino na escola, e se liberar do professor” (SANTALÓ)

Vale ressaltar também que o aluno precisa querer aprender, e que os professores são os mediadores no processo ensino-aprendizagem. Daí, a insistência da motivação, da aprendizagem significativa para que o aluno queira aprender e seja ativo no seu desenvolvimento cognitivo-social, enfim para que desperte em si mesmo o “aprender a aprender” e o “querer aprender”, fatores imprescindíveis para uma educação de qualidade.

PAULA CRISTINA CORREA FRANCISCO

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Para saber mais:

NETO, Ernesto Rosa. Didática da Matemática. São Paulo: Ática. S/D.

SANTALÓ, Luis A. “Matemática para não matemáticos”, in PARRA, Cecília; SAIZ, Irma. (orgs). Didática da Matemática: Reflexões Psicopedagógicas. Porto Alegre: Artmed, 1996

http://www.mathema.com.br/default.asp?url=http://www.mathema.com.br/intel_multiplas/teoria_formac.html

http://www.mathema.com.br/default.asp?url=http://www.mathema.com.br/intel_multiplas/conhec_intel.html

Algumas considerações…

Por: Nathaly Felipe Ferreira Alves

Personagem que figura a mitologia egípcia, grega e babilônica a Esfinge é sinônimo de força, de poder, mas também de mistério, introspecção e autoconhecimento.

Antes de continuarmos nossa exposição das principais figuras da mitologia egípcia, gostaríamos de refletir, ainda que minimamente, sobre o que, afinal, representa a mitologia. Ousamos também entender quais seriam seus possíveis propósitos.

A gênese de todos os mitos perde-se nas brumas do tempo. Não se pode dizer exatamente de onde essas histórias realmente advêm. E, apesar de magníficas, geralmente tais narrativas não são “palpáveis”, na medida em que gravitam na órbita do maravilhoso, do onírico, do mágico. Justamente por este motivo, de maneira geral, a mitologia não agasalha as tais “verdades científicas”, porque transportá-la ao real seria como destituí-la de todo o seu encanto.

Se não sabemos sua origem, podemos saber sua função?

Para que servem os mitos? Além de possuirem, como já mencionamos, um cunho totalmente imaginoso, capaz de nos levar às viagens mais incríveis do gênio humano, capaz de nos maravilhar, a mitologia aborda os temas ocultos, parcamente compreendidos pela razão.

Mas… tentemos entender o valor da mitologia para os nossos ancestrais. Tarefa árdua, uma vez que não podemos voltar aos primórdios dos tempos da criação destas histórias, tampouco possuimos  a visão dos antigos. Podemos, contudo, promover uma tentativa, desde que nos inclinemos à visão de outrora. Imparcialidade? Não. Não podemos alcançá-la. Mas, se pudermos ao menos entender o pensamento dos antigos, com o ideário deles (fazendo isso com o mínimo de pesquisa e desprendimento às considerações “modernas”, bem como sem o preconceito proveniente da falta de consciência histórica, por assim dizer) talvez possamos entender a função dos mitos.

Remetendo nosso pensamento à Antiguidade, os mitos não indicariam algo considerado falso (afinal, hoje em dia, esse é um dos sinônimos da palavra), senão o código segundo o qual as divindades transmitiam sua linguagem e seus ensinamentos à humanidade. Por meio deles, desta forma, seria possível estabelecer uma real conexão com os imortais, aprendendo com eles.

Entendendo as condições criativas e criadoras dos mitos, pensemos: por que a mitologia apresenta uma linguagem na maioria das vezes ambígua? Seguindo a linha de aprendizado que o mito nos proporciona, não aprendizado moral, mas essencial, podemos sugerir que a humanidade precisa aprender a interpretar para encontrar o seu próprio caminho. Nenhum deus, portanto, poderia falar diretamente com um indivíduo humano. Este precisa deixar-se levar pela névoa do mito, pelo mundo mágico do mito para entender o mundo real. Conhecer as possibilidades.

Encarando os mitos desta forma, compreendemos porque eles não precisam competir com a ciência, por exemplo. A mitologia nos mostra os mistérios da vida, narrando nossos dramas existenciais coletivos e individuais. Traduzem nossas alegrias e tristezas, enfim… Enquanto criação humana, a mitologia canaliza todos os nossos anseios e medos e nos ensina a enfrentar os nossos dragões.

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